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Treinamento para crianças e jovens

O texto abaixo foi escrito pelo Prof. Antonio Carlos Gomes e adaptado por mim para ser postado no blog. Nosso convidado é consultor científico do Corinthians, formado em Ed. Física e com formação acadêmica na Universidade Nacional de Cultura Física da Rússia em Moscou. Além disso, é Doutor em Treinamento Desportivo de Alto Rendimento, com alta especialização na área da Periodização do Treinamento para atletas e equipes de alto rendimento. Espero que gostem! Obrigado, professor. Abs, P.A

Cada vez mais crianças e jovens procuram o esporte competitivo, seja na modalidade de voleibol, ginástica artística ou futebol. Considerando que aos 12 anos de idade essas “crianças” começam a busca pelo rendimento, abre-se uma questão de suma importância entre os especialistas: será que o sistema de treinamento aplicado a esses jovens atletas está de acordo com os indicadores biológicos e com a maturação biológica de cada um ou esse tipo de treinamento precoce se tornará prejudicial à carreira futura dos jovens atletas?

Na infância e adolescência, os jovens ainda se encontram em fase de crescimento, por este motivo as cargas de treinamento devem ser minuciosamente controladas. É nesta época que surgem as alterações físicas, psicológicas e psicossociais, que podem vir a ocasionar problemas para a atividade corporal ou esportiva.

Na prática com as crianças, devemos identificar as fases de desenvolvimento motor em que ela esteja inserida, pois é isso que dará o direcionamento de quais são as experiências motoras apropriadas para aquele dado momento.

No caso da capacidade de velocidade por exemplo, existe uma melhora sistemática tanto no meio quanto no final da fase da infância. Por outro lado, só na adolescência é que se deve aplicar treinamentos para ganho de capacidade nas corridas contínuas. Por sua vez, o equilíbrio apresenta melhoras dos 3 aos 18 anos, ou seja, mesmo não sendo fácil mensurar, ele apresenta melhora tanto na infância quanto na adolescência.

Outra questão importante é a atividade comportamental do adolescente, que é essencialmente exploratória, porém não deve ser considerada sem importância, já que pode ajudar o indivíduo a encontrar o seu lugar na sociedade. A prática esportiva pode ajudar também, a desenvolver o comportamento moral e ético das crianças através das inúmeras situações imprevisíveis e emoções implícitas no jogo. O esporte deve ser usado para educar e ensinar valores como lealdade, autocontrole e justiça. É por isso que um modelo de orientação positiva deve ajudar a desenvolver a coragem, o que se torna essencial para um processo psicossocial saudável e produtivo do desenvolvimento infanto-juvenil.

Existe um consenso entre os estudiosos de que o desenvolvimento motor possui seis estágios, sendo: reflexivo; pré-adaptativo; habilidades motoras fundamentais; habilidades motoras específicas; habilidosa; compensatória.

As habilidades e as experiências adquiridas desde o primeiro estágio, servirão de base para aquisição de habilidades nos estágios posteriores, ditando a progressão do desenvolvimento motor. Neste modelo, as idades dadas para cada período são apenas estimativas, o que importa é a ordem dos períodos.

Nos meninos, a adolescência inicia-se normalmente aos 14/15 anos e vai até 18/19 anos, quando há uma diminuição de todos os parâmetros de crescimento e desenvolvimento. Ocorre então uma harmonização das proporções, favorecendo a melhora das capacidades coordenativas, quando então deve-se dar ênfase no aperfeiçoamento e fixação de sequências motoras já dominadas, tais quais as técnicas esportivas. É nessa fase que ocorre uma melhora da capacidade de controle, de adaptação, de reorganização e de combinação das atividades.

Sabemos que muitos treinadores e preparadores físicos não utilizam métodos científicos durante todo o processo de desenvolvimento motor, fato que pode ser comprovado quando notamos em atletas de alto rendimento, já na fase adulta, deficiências oriundas da má formação tanto na infância quanto na adolescência. Por isso, o trabalho com jovens deve ser auxiliado de forma decisiva por uma equipe multidisciplinar voltada para a uma formação ideal.

Antonio Carlos Gomes, PhD

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4 Comentários

  1. Que bom saber que o professor Antonio Carlos continua fazendo trabalhos importantes pelo futebol em grande clubes do futebol brasileiro.
    Grande abraço.
    Carlão.

  2. Paulo André, parabéns pelo Blog.
    O tema abordado é de suma importância e merece uma atenção especial de todas as pessoas envolvidas no processo de formação e desenvolvimento de um atleta. Está longe de se esgotar a controvérsia sobre a participação de crianças e jovens no desporto de rendimento. As razões pelas quais se procura justificar a prática desportiva precoce envolvem as características do atual sistema desportivo, a busca de êxitos e vitórias em curto prazo e as atitudes dos pais em relação ao envolvimento dos filhos na prática desportiva. Apesar da constante evolução da ciência do desporto, ainda vejo dificuldades por partes de técnicos e pessoas ligadas ao esporte no que se refere ao treinamento de jovens atletas, principalmente em relação às particularidades das várias modalidades desportivas e seus efeitos na composição corporal. Apesar dessa evolução, nota se claramente que a maioria dos profissionais tem optado por uma metodologia imediatista, ou seja, buscando resultados á curto prazo, mesmo que isso acarrete em uma especialização precoce (considerado o vilão do esporte).
    No ano passado, o Dr. Joaquim Grava abordou, muito rapidamente, este tema em um programa de TV, onde relatou sua preocupação com a categoria infantil de futebol, mas que pode ser estendida a outras modalidades esportivas. A preocupação é com relação ao alto índice de lesão no joelho apresentado por meninos com menos de quinze anos, devido à elevada exposição da articulação. A crítica foi direcionada aos métodos de treinamentos que os meninos desta categoria estão sendo submetidos. Segundo o médico, o que tem contribuído com este quadro alarmante de lesões é a utilização da metodologia imediatista com o intuito de descobrir muitos jogadores talentosos, mesmo sabendo que os danos são maiores que os benefícios. E ainda alertou os responsáveis pelas divisões de base para que se preocupem em desenvolver atividades que contribuam para o desenvolvimento integral das crianças, pois a probabilidade de encontrar novos talentos é muito maior. Achei muito importante ele externar esta preocupação e deixar nas entrelinhas um “alerta” para os profissionais que trabalham com essas categorias. E como você tem sido “porta voz” de vários assuntos importantes, segue a sugestão para procurar pelo Dr. Joaquim Grava para escrever um texto explicativo sobre as conseqüências da especialização precoce nos “Treinamentos para crianças e jovens”. Abordar não só a questão das lesões, mas também dos problemas de ordem psíquica. O texto pode contribuir para esclarecer alguns profissionais que tem dificuldade em relação às particularidades das modalidades desportivas e seus efeitos.
    No mais, muito feliz com sua volta como titular no “meu” Timão. Vou torcer para jogar bem e decretar logo o “Voltei para Ficar”. Sua capacidade de liderança no grupo e em campo vai ser importante na conquista do título. Um abraço e boa sorte no jogo.

  3. Parabéns pelo retorno e pelos textos!
    É até engraçado quando as pessoas falam que um jogador não pode ter escrito!!!

    Espero que continue no Corinthians por muito tempo, mesmo depois de deixar os gramados! Tem inteligência e consciência política para ajudar o futebol.

    Parabéns Paulo!!!!

  4. Parabéns pelo blog… Otimo layout e boas materias…

    Passei a seguir

    Siga também o TOM DE BOLA

    http://tomdebola.blogspot.com

    Aproveitando: parabéns pelo gol e atuação diante do Santo André…

    Vamos com tudo para as finais do paulistão…

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