Resultados 1 - 1 de 1 resultados encontrados para 'rio 2016'


Postado por Paulo André em 01/08/2012 às 18:22h


Texto novo, vídeo velho

 

Os apaixonados por esporte ficam em êxtase durante os Jogos Olímpicos. Acompanham todas as modalidades, dão pitacos no arco e flecha, badminton e handball mesmo que nunca tenham praticado nenhum deles. Torcem como loucos no boxe, judô ou vela, teimando em contrariar as decisões dos juízes, mesmo sem ter o total domínio sobre as regras. No fundo eles querem vibrar, torcer, entender mais... Querem aplaudir, chorar de emoção com as histórias de superação de jovens promovidos a heróis do dia pra noite... Querem se identificar com esses talentosos compatriotas que carregam e elevam a bandeira do Brasil pelo mundo afora.

Então, por essas simples razões, estamos (já me incluí) desde sexta-feira sentados à frente da TV e do computador para acompanhar nossos \"pracinhas\" e ganhamos de presente, meio que sem esperar, um primeiro dia mágico de competição, como nunca antes visto.

Três medalhas - ouro, prata e bronze - justamente nas Olimpíadas em que entramos mais desconfiados, acreditando que \"poderia ou deveria\" ser uma das piores participações da nossa história nesta competição.

Pois bem, passada a alegria do primeiro dia, volto à razão e começo a analisar as entrevistas dos nossos campeões que, logicamente, agradeceram e elogiaram o Bolsa Atleta e as federações pelo apoio e incentivo às suas carreiras. Disseram-se também muito felizes com a visita do Ministro Aldo Rebelo (a quem, pessoalmente, respeito) quando na verdade era o Ministro que deveria sentir-se lisonjeado por ter sido recebido pelos vencedores olímpicos, como um pai recebido pelo filho abandonado ainda na infância.

Sou obrigado a fazer um parênteses, em forma de desabafo, para depois continuar. (...)

 

 

Os apaixonados por esporte ficam em êxtase durante os Jogos Olímpicos. Acompanham todas as modalidades, dão pitacos no arco e flecha, badminton e handball mesmo que nunca tenham praticado nenhum deles. Torcem como loucos no boxe, judô ou vela, teimando em contrariar as decisões dos juízes, mesmo sem ter o total domínio sobre as regras. No fundo eles querem vibrar, torcer, entender mais... Querem aplaudir, chorar de emoção com as histórias de superação de jovens promovidos a heróis do dia pra noite... Querem se identificar com esses talentosos compatriotas que carregam e elevam a bandeira do Brasil pelo mundo afora.

Então, por essas simples razões, estamos (já me incluí) desde sexta-feira sentados à frente da TV e do computador para acompanhar nossos \"pracinhas\" e ganhamos de presente, meio que sem esperar, um primeiro dia mágico de competição, como nunca antes visto.

Três medalhas - ouro, prata e bronze - justamente nas Olimpíadas em que entramos mais desconfiados, acreditando que \"poderia ou deveria\" ser uma das piores participações da nossa história nesta competição.

Pois bem, passada a alegria do primeiro dia, volto à razão e começo a analisar as entrevistas dos nossos campeões que, logicamente, agradeceram e elogiaram o Bolsa Atleta e as federações pelo apoio e incentivo às suas carreiras. Disseram-se também muito felizes com a visita do Ministro Aldo Rebelo (a quem, pessoalmente, respeito) quando na verdade era o Ministro que deveria sentir-se lisonjeado por ter sido recebido pelos vencedores olímpicos, como um pai recebido pelo filho abandonado ainda na infância.

Sou obrigado a fazer um parênteses, em forma de desabafo, para depois continuar.

(Devido a minha amizade com alguns medalhistas olímpicos aposentados ou em atividade, perguntei por que elogiavam algo que não concordavam ao invés de usar o bom momento para reclamar melhores condições. Como resposta, foi explicado que a necessidade do patrocínio de empresas estatais, do Governo do Estado e do Bolsa Atleta os impediam de fazer algo diferente. E por mais que soubessem que não havia estrutura, apoio ou investimento de forma razoável para que pudessem desenvolver suas carreiras ou o esporte brasileiro, eram \"obrigados\" a agradar (entendendo serem usados descaradamente) como manobra política para continuar a sobreviver por meio do esporte).

Sigamos em frente com o texto.

De qualquer forma, estas três conquistas aliviaram enormemente a pressão sobre nossos dirigentes que, na ânsia de evitar problemas, já haviam (inteligentemente) pré-descartado ou pré-justificado o medo/fracasso com um discurso bem simples: \"Estamos preparando nossos atletas e a próxima geração para daqui a quatro anos, na Rio 2016\".

Só que ao ouvir isso, tive um estalo: \"Hein? Como é que é? Somos bobos, mas essa não dá para engolir…\"

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos no dia 2 de outubro de 2009, ou seja, mais de um ano depois da Olimpíada de Pequim e há três anos dos Jogos de Londres. O que quero dizer é que no momento em que fomos eleitos sede dos jogos de 2016, os atletas de Londres já estavam “definidos” ou, no mínimo, tínhamos ideia dos nossos possíveis “heróis”. Além disso, todo o planejamento de metas e objetivos, planos públicos de investimento, destinação de verbas, identificação de novos talentos, construção ou manutenção de centros de treinamento, organização, programação e participação dos atletas nas melhores e mais importantes competições até Londres 2012, já estavam estabelecidos, correto?

Tomara que sim. Esse é o mínimo que espero de quem gere o esporte no país. Não estou falando de extravagâncias, utopias, gastos exorbitantes, nem de formar atletas em 2009 para competir em 2012, isso é impossível. Mas oferecer estrutura de treinamento e desenvolvimento aos atletas, ajudar na criação e manutenção de ligas e campeonatos saudáveis e de bom nível, possuir um projeto com começo, meio e fim que não seja apenas manobra política anunciada às vésperas de grandes eventos esportivos não é pedir muito. Porque na prática me parece que a resposta à pergunta do parágrafo acima é não - o planejamento não havia sido feito, não estava estabelecido.

Resumindo, o resultado dessa Olimpíada nada tem a ver com o que “deve” estar sendo feito para Rio 2016, e sim com a falta de estratégia, logística, estrutura, capacidade de gestão, cultura esportiva e incentivo oferecidos aos atletas e treinadores além, é claro, da falta de transparência na utilização dos felpudos R$2,1 bilhões que foram investidos nesse ciclo olímpico, oriundos das verbas do Ministério do Esporte, da Lei Piva, da Lei de Incentivo ao Esporte e de empresas estatais. Mas também, com presidentes de federações há mais de 10, 15, 20 anos no poder, como vamos esperar melhorias?

Por isso, segue um vídeo produzido pela ESPN Brasil, narrado pelo jornalista Fernando Victorino em 2008 e postado neste blog em 4 de Maio de 2011, cujo texto foi escrito pelo Professor Ronaldo Pacheco e que retrata bem a realidade do que tem sido feito com o esporte brasileiro. Ele toca em pontos fundamentais que devem ser levantados pela sociedade, pelos atletas (que devem se mobilizar e reclamar por melhorias), pelos treinadores, pelos gestores do esporte e pelos políticos, pois caso contrário, este vídeo ainda será, infelizmente, uma representação atual no final desta olimpíada e da Rio 2016.

 

P.A

 


http://www.blogdopauloandre.com.br/comentarios.php?post=108

 

TAGS: jogos olímpicos, rio 2016, brasil, esporte,

 





Página(s): 1  

 

 

PESQUISE NO BLOG Pesquisar

CANAL OFICIAL DO YOUTUBE

 

Loading...

 

ver mais vídeos

 

 

ÚLTIMAS DO TWITTER

 



    Posts mais lidos

    • Vida de Torcedor
      Com o passar dos anos e acostumado a estar dentro das quatro linhas, a gente perde a noção de tudo o que ocorre no entorno de ...
    • A encruzilhada do futebol brasileiro
      Se dissermos que o jogo de futebol se divide em três princípios básicos e deles, todas as variações s&atil...
    • Esclarecimento
      Recebi centenas de recados pelo Twitter e decidi responder por aqui.  Vou reproduzir em palavras exatas a entrevista coletiva que dei ...
    • \"\"Campeões da América
      O grito fora libertado, conquistamos a América.  No gramado, enquanto aguardávamos a entrega das medalhas, a torcida r...
    • A fábula dos pênaltis
      O Chelsea sagrou-se campeão europeu no último sábado e para isso usou a histórica receita futebolística a...

     

    PALAVRAS-CHAVE

    agora é tarde águas de lindóia arte atleta atletismo audax ayrton senna barcelona blog brasil calendário campeonato brasileiro campeonato paulista campinas categoria de base cbf CCBB cesta do bem concentração conmebol copa de 70 copa de 74 copa do brasil copa do mundo copa são paulo corinthians cristiano ronaldo danilo gentili debate di stefano diego souza dr. osmar entrevista entrevistas esporte evaristo de macedo fernando fernandes ferreirão finanças fisioterapia flamengo frança futebol futebol brasileiro futebol europeu grafite guarani histórias hugo boss ídolos iniesta inspiração ipa jogos olímpicos juca entrevista juca kfouri juniors kajuru pergunta kaká kubala le mans lesão libertadores liga dos campeões livro manchester united martin l. king MASP maurren maggi messi michael jordan ministério público multimidia Mundial de Clubes nelson mandela o jogo da minha vida pânico paolo rossi papo de boleiro paulinho paulo andré piquet pré-temporada professor medina puskas ranking de clubes real madri recuperação reportagem rinus mitchel rio 2016 robinho ronaldo fenômeno seleção brasileira sindicato suárez sub-20 teste teste2 torcida treinamentos Troféu universidade do futebol vasco videos vidic villa wallace xavi yohan cruiff

     

    BLOG OFICIAL DO JOGADOR PAULO ANDRÉ. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

     

    Powered by