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Postado por Paulo André em 14/04/2012 às 15:32h


Bastidores da minha mente...

 

Eu já não sei quantas vezes passei por isso. São incontáveis lembranças e já nem consigo situá-las no tempo e no espaço. A maior parte delas ficou perdida, bloqueada no subconsciente, como resultado de uma ferida mais grave do que a lesão física e que, impregnada nas conexões nervosas, me limita ao mesmo tempo que, curiosamente, me deixa saudoso. Obviamente, não pela dor que causou mas pela evidente superação que ela criou/estimulou na última vez em que \"esteve aqui”. (Se fui capaz de superá-la aquela vez, por que não seria de novo?)

Continuo lutando feito louco, contra mim, minhas dores, contra o tempo. Quero, outra vez, ultrapassar as barreiras e provar que a recuperação física não passa de matemática, dedicação, repetição, adaptação e evolução. Mas essa minha teoria insiste em não funcionar, pelo menos não da maneira que gostaria. Me pego pensando no que disse Einstein e me encho de vergonha, pois segundo ele: “A idiotice é fazer as mesmas coisas todos os dias e esperar por um resultado diferente”. 

 

 

Eu já não sei quantas vezes passei por isso. São incontáveis lembranças e já nem consigo situá-las no tempo e no espaço. A maior parte delas ficou perdida, bloqueada no subconsciente, como resultado de uma ferida mais grave do que a lesão física e que, impregnada nas conexões nervosas, me limita ao mesmo tempo que, curiosamente, me deixa saudoso. Obviamente, não pela dor que causou mas pela evidente superação que ela criou/estimulou na última vez em que \"esteve aqui”. (Se fui capaz de superá-la aquela vez, por que não seria de novo?)

Continuo lutando feito louco, contra mim, minhas dores, contra o tempo. Quero, outra vez, ultrapassar as barreiras e provar que a recuperação física não passa de matemática, dedicação, repetição, adaptação e evolução. Mas essa minha teoria insiste em não funcionar, pelo menos não da maneira que gostaria. Me pego pensando no que disse Einstein e me encho de vergonha, pois segundo ele: “A idiotice é fazer as mesmas coisas todos os dias e esperar por um resultado diferente”.  

Recomponho-me e vejo que a simplicidade de sua explicação quase me joga ao outro extremo, o do comodismo que seria o oposto do que venho praticando ao longo dos últimos 15 anos. Tenho a clara noção de que esse mal me incomoda mais do que a dor física e, por princípios, trato de rejeitá-lo prontamente. Então cá estou eu, vagando pelos extremos e lembrando de uma frase do filósofo Voltaire: “A medicina é a arte de distrair o paciente enquanto a natureza cuida do resto”. Seria isso mesmo? Devo confessar que em momentos de angústia já a proclamei aos amigos fisioterapeutas quando estes teimavam em me deixar por horas naqueles “choquinhos ineficientes”. Apesar disso, juro que gostaria de me distrair e seguir o conselho do escritor francês mas não me é possível. Durmo mal, acordo antes da hora e continuo forçando meu corpo a reagir, a se levantar, a acelerar todo o processo de recuperação pois sei que o tempo voa e a vida de um jogador passa num piscar de olhos.

Então percebo que a minha frustração acaba sendo reflexo da expectativa elevada que criei à partir de meus pressupostos, os quais insistem (a cada nova lesão/dificuldade) em me dizer que dessa vez deveria ser mais fácil ou menos doloroso. Como resultado, sinto me revoltado, incapaz, não por falta de força, fé ou trabalho, mas por não desvendar os mistérios contidos nessas inúmeras lesões e recuperações que vivenciei. 

Alguns passam por essa fase (sensível) no momento da lesão e caem em desespero. Outros a vivem na hora em que é dada a notícia de que a operação se faz necessária. Há ainda os que se abalam quando se dão conta de que viviam um grande momento profissional e foram interrompidos por uma fatalidade e à partir daí não conseguem aceitar algumas diferenças ou compensações que deverão ser feitas no estilo de jogo e de vida. Sem contar os que sentem tanta dor nos primeiros 10 dias pós-cirurgia que entram em colapso... No meu caso é diferente, já que, infelizmente me acostumei com esses momentos e essas constatações.

Porém, ainda tenho o sentimento de que os dias estão escapando de mim, o que me leva de volta há um tempo nostálgico, doloroso (em sofrimento) e grandioso (em conhecimento). 

E o engraçado é que essa fase, reflexiva/deprimida, só me é perceptível quando uma lágrima começa a escorrer dos olhos por motivos estranhos, não convencionais (pelo menos para mim). Não dá pra explicar! O corpo, forte e resistente, se entrega aos feitiços da mente. Ele, apesar de ser engrenagem perfeita, não é máquina e não responde matematicamente às ações/intervenções humanas. HÁ um que de espiritual, sentimental, improvável e incrível. E talvez seja a união do humano com o espiritual que, vendo tamanha limitação (deste que vos escreve), transborde e resolva desafogar a alma expulsando lágrimas por entre os olhos. 

Meu corpo falou ontem pela manhã, escutando a Rádio Jovem Pan, chegando ao CT. Ouvi a narração de um momento histórico do Rei Pelé que, no máximo (em tempos normais) me inspiraria a sonhar como seria tê-lo visto jogar ao vivo. Mas como não se trata de tempos normais (para mim), o sentimento foi mais forte, e mesmo sem saber em qual circunstância exata se passava aquele acontecimento (se na despedida ou no milésimo gol do Rei), a emoção do narrador contando que Pelé se negava a dar a volta olímpica enquanto seus companheiros de time o reverenciavam foi suficiente para me mostrar em que fase da recuperação eu estou...

Voltarei em breve, tenho certeza! 

Obrigado pela torcida e pelo carinho de vocês. 
O guerreiro está aqui...

Abs,
P.A


http://www.blogdopauloandre.com.br/comentarios.php?post=87

 

TAGS: lesão, fisioterapia, recuperação

 





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