Resultados 1 - 5 de 5 resultados encontrados para 'brasil'


Postado por Paulo André em 11/10/2011 às 20:48h


LIMITE

LIMITE

 

Quem eles querem aterrorizar? O que essa atitude representa? Onde eles querem chegar?
Não sei, não consigo responder essas perguntas. Me sinto incapaz de enxergar ou entender qual a verdadeira intenção desse ato.

O que me veio à mente enquanto pensava sobre isso foi uma citação bem conhecida:
“Há quatro coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada, a ocasião perdida e o tempo passado”.

A flecha lançada é a agressão consumada. Não voltará atrás e será uma mancha para sempre na história do futebol brasileiro, que é considerado sinônimo de alegria em todo planeta, menos em nosso próprio país.

A palavra pronunciada representa o que se falou sobre o assunto nas últimas horas, conversas de botequim, debates nos programas esportivos, ideias, julgamentos, condenações. No geral, assim como esse texto, são palavras ao vento, que não nos levarão a lugar algum se não tomarmos atitudes severas.

O terceiro item da frase acima é a ocasião perdida. E é aqui que mora o perigo. Rogo piamente para que não percamos a oportunidade de usar esse triste acontecimento em prol de algo concreto para um futuro melhor. Para isso, gostaria que o Ministério Público aparecesse, assim como “apareceu” ou quis aparecer nas semi-finais do Campeonato Paulista em que pediu aos atletas que ficassem intercalados com os rivais durante a execução do Hino Nacional (aliás e por mera coincidência, ocorreu no mesmo final de semana em que a vítima perdeu o pênalti contra o maior rival e teve sua equipe desclassificada na competição). Na época disseram que aquele fato se disseminaria pelo mundo todo em segundos, representando a paz nos estádios brasileiros. Ledo engano!

Onde está o sindicato para servir-se dessa idiotice, unir a classe e mostrar a ela a importância de mudanças e exigências para que sejamos respeitados, primeiro como seres humanos e depois como profissionais de um esporte que movimentou no Brasil, só em 2010, mais de 1,7 bilhão de reais?

E por último o tempo passado, que, apesar de não voltar, poderá fazer essa estúpida atitude se reproduzir em maior escala e com maior frequência caso não sejamos rigorosos em punir os culpados e em cobrar os senhores que podem modificar essa triste realidade.

Acordemos já, o futebol brasileiro tem muito a perder ou a ganhar!

 

Quem eles querem aterrorizar? O que essa atitude representa? Onde eles querem chegar?
Não sei, não consigo responder essas perguntas. Me sinto incapaz de enxergar ou entender qual a verdadeira intenção desse ato.

O que me veio à mente enquanto pensava sobre isso foi uma citação bem conhecida:
“Há quatro coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada, a ocasião perdida e o tempo passado”.

A flecha lançada é a agressão consumada. Não voltará atrás e será uma mancha para sempre na história do futebol brasileiro, que é considerado sinônimo de alegria em todo planeta, menos em nosso próprio país.

A palavra pronunciada representa o que se falou sobre o assunto nas últimas horas, conversas de botequim, debates nos programas esportivos, ideias, julgamentos, condenações. No geral, assim como esse texto, são palavras ao vento, que não nos levarão a lugar algum se não tomarmos atitudes severas.

O terceiro item da frase acima é a ocasião perdida. E é aqui que mora o perigo. Rogo piamente para que não percamos a oportunidade de usar esse triste acontecimento em prol de algo concreto para um futuro melhor. Para isso, gostaria que o Ministério Público aparecesse, assim como “apareceu” ou quis aparecer nas semi-finais do Campeonato Paulista em que pediu aos atletas que ficassem intercalados com os rivais durante a execução do Hino Nacional (aliás e por mera coincidência, ocorreu no mesmo final de semana em que a vítima perdeu o pênalti contra o maior rival e teve sua equipe desclassificada na competição). Na época disseram que aquele fato se disseminaria pelo mundo todo em segundos, representando a paz nos estádios brasileiros. Ledo engano!

Onde está o sindicato para servir-se dessa idiotice, unir a classe e mostrar a ela a importância de mudanças e exigências para que sejamos respeitados, primeiro como seres humanos e depois como profissionais de um esporte que movimentou no Brasil, só em 2010, mais de 1,7 bilhão de reais?

E por último o tempo passado, que, apesar de não voltar, poderá fazer essa estúpida atitude se reproduzir em maior escala e com maior frequência caso não sejamos rigorosos em punir os culpados e em cobrar os senhores que podem modificar essa triste realidade.

Acordemos já, o futebol brasileiro tem muito a perder ou a ganhar!


http://www.blogdopauloandre.com.br/comentarios.php?post=59

 

TAGS: brasil, futebol, ministério público, sindicato

 

Postado por Paulo André em 13/06/2011 às 19:23h


Vida na concentração

Vida na concentração

 

O que você faria se tivesse que ficar 120 dias por ano dentro de um quarto de hotel? Esse é o número médio que um time de futebol brasileiro, que joga 60 vezes ao ano, fica concentrado. Não estou contando pré-temporadas, inter-temporadas e concentrações duplas (com dois dias de antecedência à data do jogo).

Para a maioria das pessoas, ficar em um hotel lembra férias e curtição. Estar cada final de semana numa cidade do país, viajando, comendo bem e jogando bola seria um sonho pra qualquer um. Mas a nossa realidade não é bem essa. Aliás, já ouvi tantos mitos sobre o que supostamente se passa em uma concentração que resolvi escrever um post sobre isso.

Aeroporto, ônibus, hotel. Chegando ao hotel, subimos ao nosso andar, onde ficam todos os atletas divididos em quartos de dois. Desse andar só saímos para almoçar e jantar numa sala reservada do próprio hotel. As outras três refeições que temos (café da manhã, café da tarde e café da noite) são feitas no próprio andar dos quartos, para facilitar nossa vida e evitar contato com outras pessoas. (...)

 

O que você faria se tivesse que ficar 120 dias por ano dentro de um quarto de hotel? Esse é o número médio que um time de futebol brasileiro, que joga 60 vezes ao ano, fica concentrado. Não estou contando pré-temporadas, inter-temporadas e concentrações duplas (com dois dias de antecedência à data do jogo).

Para a maioria das pessoas, ficar em um hotel lembra férias e curtição. Estar cada final de semana numa cidade do país, viajando, comendo bem e jogando bola seria um sonho pra qualquer um. Mas a nossa realidade não é bem essa. Aliás, já ouvi tantos mitos sobre o que supostamente se passa em uma concentração que resolvi escrever um post sobre isso.

Aeroporto, ônibus, hotel. Chegando ao hotel, subimos ao nosso andar, onde ficam todos os atletas divididos em quartos de dois. Desse andar só saímos para almoçar e jantar numa sala reservada do próprio hotel. As outras três refeições que temos (café da manhã, café da tarde e café da noite) são feitas no próprio andar dos quartos, para facilitar nossa vida e evitar contato com outras pessoas.

Além das refeições, temos costumeiramente duas palestras feitas pelo treinador, uma no sábado à noite e a outra no domingo antes do jogo, onde são passados vídeos sobre os adversários, sobre a nossa equipe, erros, acertos, possibilidades táticas e discursos motivacionais para que a equipe entre voando em campo.

Os horários para as refeições e palestras são sempre respeitados e para garantir isso, os seguranças do clube se revezam e ficam 24 horas por dia no andar do hotel, nos avisando e nos fiscalizando sobre as atividades e os horários. Eles são vigias e quando você quer receber alguém no lobby do hotel (porque no andar é proibido até para a família), um dos seguranças desce com você, para que nada de errado aconteça.

Por tudo isso, 90% do tempo concentrado se passa dentro do quarto. Aí é que vem o problema, já que não existem muitas atividades que podem ser feitas ali dentro. Já concentrei com um monte de gente, cada um tem um estilo próprio e não é fácil achar um companheiro que não te atrapalhe muito. (risos)

Uns conseguem ligar ao mesmo tempo a TV, o Ipod e ainda ficar na internet enquanto você quer dormir (e vice-versa). Outros dormem até meio dia quando você decide acordar cedo e por respeito ao sono alheio resolve não ligar a TV. Uns falam ao telefone como se estivessem debaixo de uma cachoeira, gritando horrores para serem escutados. Tem aqueles que deixam o celular ou o rádio no último volume e recebem ligações às 2 horas da manhã. Além disso, muitas outras diferenças culturais e de gosto podem surgir quando você concentra com um colega de profissão. O que é natural, afinal cada um tem seu jeito.

Vou citar os hobbies mais costumeiros para se distrair em uma concentração e depois vocês aceito sugestões… Prometo que passarei para todos os jogadores, afinal, adivinhem onde estou escrevendo esse texto? rs

Vejam as inúmeras opções disponíveis:
1) Dormir
2) Conversar (sozinho ou com alguém)
3) Ficar na Internet
4) Ler um livro
5) Utilizar a TV (filme, seriado, vídeo game)
6) Jogar baralho
7) Ouvir música
8) Falar no telefone

Mais uma vez, olhando assim parecem férias e lazer, mas quando chegamos no meio do ano já não há filmes que não tenhamos visto, não há conversas com o companheiro de quarto que já não tenham sido discutidas, não há twitter, msn, facebook ou internet que distraia. Jogos de baralho são raros, pelo menos nos clubes em que passei. É difícil juntar mais de quatro ou cinco atletas, pois cada um tem seu ritual de matar o tempo e de se preparar para o jogo.

Agora, imaginem esse período de 120 dias multiplicado pelo tempo de carreira de um atleta que gira em torno de 15 anos. São 1800 dias, praticamente cinco anos de concentração. É uma loucura ficar tanto tempo “preso” sem fazer nada, longe da família, dos filhos e amigos.

Não estou reclamando da nossa vida pois ganhamos muito bem para abrirmos mão de algumas coisas por um curto período de tempo para podermos desfrutá-las melhor no futuro. Nada se conquista sem sacrifício e somos exemplos disso para a sociedade. Eu particularmente sei da importância do meu corpo, do descanso e da alimentação para o meu desempenho dentro de campo. Mas a questão que estou levantando é: Será que é necessário e faz tanta diferença assim se concentrar todo esse tempo? Será que não é por isso que quando estão livres, os jogadores acabam extravasando de maneiras distintas e nem sempre tão corretas?

A resposta passa por uma constatação: Jovens entre 18 e 30 anos com uma boa condição financeira, estão curtindo a vida, se divertindo em festas, viagens e finais de semana na praia ou na chácara. Frequentam aniversários e casamentos (perdi as contas de eventos importantes que não participei) às sextas e sábados à noite e se divertem com as crianças aos domingos. Se estivessem enfiados num quarto de hotel todos os finais de semana durante 15 anos, será que nos seus dias de folga, não gostariam de fazer tudo isso de uma só vez? Pois é, é a mesma vontade que os atletas têm.

Não sou contra a concentração, sou contra o elevado número de concentrações a que somos expostos. Talvez porque ainda tenho dúvidas com relação à verdadeira motivação dos clubes e treinadores que optam por esse tipo de tática para justificar bons ou maus desempenhos dentro de campo. Questiono a privação à liberdade e as dúvidas em relação à maturidade e profissionalismo dos atletas brasileiros. Sim, dos brasileiros, porque aí é que entra o outro lado.

Na Europa quando o jogo é a mais de duas horas de vôo da cidade, voamos no dia anterior e dormimos no hotel. Quando há um jogo muito importante em casa, passamos somente a noite da véspera no hotel. Fora isso, o encontro é na hora do almoço ou direto no estádio e isso não altera em nada a performance dos atletas PROFISSIONAIS.

A pergunta que vocês devem estar fazendo é: Estamos preparados para isso no Brasil? Acho que sim, acho que a lei da sobrevivência fará com que os melhores e os mais profissionais fiquem, enquanto os outros serão rejeitados pelo próprio meio. A torcida sabe quem está na noite ou não, o desempenho físico do atleta mostrará se ele se cuidou ou não na noite anterior e os clubes e os torcedores não aceitarão a falta de profissionalismo. Pode demorar um pouquinho, mas em menos de um ano tenho certeza de que todos estarão se cuidando e agindo como profissionais. Seria um voto de confiança.

O que vocês acham? Vale a pena tentar?


http://www.blogdopauloandre.com.br/comentarios.php?post=49

 

TAGS: brasil, atleta, concentração, futebol

 

Postado por Paulo André em 11/03/2012 às 09:20h


A encruzilhada do futebol brasileiro

 

Se dissermos que o jogo de futebol se divide em três princípios básicos e deles, todas as variações são possíveis, eu diria que:

tecnicamente sempre fomos muito superiores a qualquer outra nação;

fisicamente, em algum período, chegamos a ser inferiores;

taticamente sempre sofremos com a falta de disciplina na aplicação da estratégia porque éramos tão melhores jogadores de bola que sempre achamos um jeito de vencer nossos rivais.

Assim sendo, inicialmente decidimos resolver a discrepância física e incrementamos toda a cientificidade oferecida pelos melhores estudos e artigos já produzidos para construirmos o atleta ideal. O intuito era nos equipararmos aos europeus e para isso, quebramos inúmeras barreiras culturais introduzindo a musculação e os treinos físicos específicos para jogadores de futebol.

Durante anos os especialistas na área tinham vontade de vomitar ao escutar dirigentes, treinadores e comentaristas dizendo que a musculação deixaria o jogador travado. De qualquer forma e com certa demora, evoluímos muito na qualidade dos treinos físicos e permitimos que a ciência entrasse no futebol brasileiro.

Até aí, tudo bem.

 

 

Se dissermos que o jogo de futebol se divide em três princípios básicos e deles, todas as variações são possíveis, eu diria que:

tecnicamente sempre fomos muito superiores a qualquer outra nação;

fisicamente, em algum período, chegamos a ser inferiores;

taticamente sempre sofremos com a falta de disciplina na aplicação da estratégia porque éramos tão melhores jogadores de bola que sempre achamos um jeito de vencer nossos rivais.

Assim sendo, inicialmente decidimos resolver a discrepância física e incrementamos toda a cientificidade oferecida pelos melhores estudos e artigos já produzidos para construirmos o atleta ideal. O intuito era nos equipararmos aos europeus e para isso, quebramos inúmeras barreiras culturais introduzindo a musculação e os treinos físicos específicos para jogadores de futebol.

Durante anos os especialistas na área tinham vontade de vomitar ao escutar dirigentes, treinadores e comentaristas dizendo que a musculação deixaria o jogador travado. De qualquer forma e com certa demora, evoluímos muito na qualidade dos treinos físicos e permitimos que a ciência entrasse no futebol brasileiro.

Até aí, tudo bem.

Conseguimos igualar a valência física e continuamos com a supremacia técnica. Éramos então praticamente imbatíveis. Mas em algum momento da história do futebol e da economia brasileira, os clubes se encontravam em péssima condição financeira e não conseguiam gerar outro tipo de renda que não com a venda de jogadores para o mercado europeu.

Demoramos muito para nos estruturarmos, explorarmos o marketing e a paixão doentia do nosso torcedor, gerando receitas que, aliadas aos direitos de TV, tornassem o clube auto-suficiente. Então, o único meio de sobrevivência encontrado por dirigentes amadores e despreparados naquela época era vender atletas à Europa para solver dívidas e contratar medalhões, ganhando assim, o apoio popular.

Desde então, estamos produzindo jogadores para os europeus, buscando selecioná-los e prepará-los de acordo com o perfil de jogo que facilita essa negociação.

Pior que isso, o nosso erro foi acreditar que o atleta ideal era aquele que existia na Europa. Boa estatura, forte, sem muita ginga (pois futebol já não era mais brincadeira), disciplinado, com bom jogo aéreo e o mais importante, com nome e sobrenome. Chegamos ao cúmulo de tirar até os apelidos dos nossos meninos da base para que eles ficassem mais vendáveis aos olhos e aos cofres do velho continente. Em pleno século 20, ainda éramos colônia, explorados pelos europeus que compravam barato e lucravam com o desempenho e as futuras transferências daqueles “produtos” importados. Apesar disso, nós brasileiros estávamos felizes e pensávamos que essa “facilidade” de achar matéria-prima abundante e vendê-la para o além-mar era a salvação da lavoura. Não nos preocupávamos com o êxodo de jogadores porque a renovação e o talento eram tão naturais do nosso povo que a cada ano surgiam mais e mais jogadores de qualidade. Se quiséssemos, montaríamos três ou quatro seleções em condições de ganhar uma mesma Copa do Mundo.

Nesse período (e durante esse processo), ainda mantínhamos a supremacia técnica e por isso demoramos anos para perceber que o jogo também evoluiu. O futebol passou a ser estudado e analisado tanto quanto o organismo humano ou a economia mundial. Também pudera, algo que gera tantos bilhões de dólares e movimenta outros tantos bilhões de torcedores ao redor do planeta não poderia ser deixado ao azar ou ao talento nato de seus praticantes.

Então, enquanto nos dedicávamos aos treinos físicos – com tiros de 1000m, 300m etc… – os europeus faziam tudo dentro do campo, com a bola. Trabalhos mais intensos e disputados, mini jogos que exploravam especificamente um princípio de ataque ou de defesa, tudo inserido ao jogo.

Cada treino tinha um objetivo e o sincronismo dos movimentos de pressão ao adversário, de bloco alto (encurtar o campo), de trocas de passes rápidas e com o menor número possível de toques na bola se tornaram exigências do futebol contemporâneo.

A linha de 4 defensiva e a tentativa de roubar a bola no campo adversário já eram praticadas muito antes de eu chegar à Europa em 2006. Estamos em 2012 e no Brasil tem gente que ainda fala em ala, três zagueiros e volante de contenção.

A falta de visão, de protecionismo, de estímulos para a manutenção de talentos e de desenvolvimento do estilo brasileiro de se jogar futebol se revela hoje, duas décadas depois, um grave problema.

Nos esquecemos de investir em planejamento, estruturação e, principalmente, capacitação de profissionais para darmos sequência à produção e consolidação da nossa hegemonia no futebol mundial.

Nos preocupamos em vender a nossa Seleção e esquecemos-nos de reinvestir o lucro nas futuras gerações.

Usamos os “produtos” produzidos e formados pelos nossos clubes, mas esquecemos de retribuir o serviço com a criação de campeonatos mais fortes e rentáveis, infra-estrutura de qualidade (estádios, gramados, etc…) e capacitação de pessoas em todas as áreas do esporte brasileiro (gestores, técnicos, preparadores físicos, scouts etc…).

Estamos atrasados.

Quase não temos cursos capacitantes que valham à pena.

O círculo do futebol brasileiro é restrito, fechado e avesso a novas ideias.

Quase não temos estudiosos do jogo, das variações táticas ou dos treinamentos específicos.

Nossa formação de base não ensina para o futebol atual, mas, sim, para o futebol de outrora.

Insistimos em coisas do arco da velha simplesmente porque a maioria dos nossos ex-jogadores (atuais treinadores) não está preparada para formar novos atletas.

Falta conhecimento e posteriormente a aplicação de ferramentas como a teoria do jogo, a psicologia e a pedagogia aplicadas ao esporte para que possamos sair do marasmo em que nos encontramos.

Precisamos abdicar de fórmulas que um dia deram certo e que se tornaram tradicionais para chacoalhar os estaduais, as divisões inferiores e os times “pequenos”, assim como um dia passamos do sistema de mata-mata para pontos corridos, dando mais estabilidade financeira aos clubes e atletas.

Talvez seja a hora de quebrarmos outros paradigmas.

Admitir que o modelo está ultrapassado e que precisamos mudar é o primeiro passo. O problema é que poucas pessoas estão preocupadas com isso. Na verdade poucos enxergam o atraso, só reclamam que a Seleção não está bem.

Novos valores e estudiosos do jogo não conseguem se inserir no meio porque não jogaram futebol e não tem a confiança do mercado. A categoria de base da maioria dos clubes brasileiros está jogada ao Deus dará. Os cargos dentro dos clubes, federações e confederações ainda são políticos e não técnicos. Isso tem que mudar!

O Brasil se encontra em uma encruzilhada.

Na verdade, estamos parados diante dela há alguns anos, observando, com olhos fixos, a estrada que nos trouxe até aqui.

Ela é repleta de flores, encantos e conquistas. Revendo o trajeto, nos apaixonamos pela construção da nossa história e temos a certeza e o orgulho de saber que os melhores times e os maiores jogadores que o planeta já viu foram brasileiros.

Enxergamos também que ganhamos, orgulhosa e merecidamente, o apelido de “País do futebol”, o maior exportador de pé-de-obra que o mundo conheceu.

Dominamos o futebol mundial e possuímos, por anos, estrelas em todos os grandes campeonatos nacionais do velho continente. Todos tinham medo da camisa amarela e os brasileiros, encantados, paravam para ver a seleção canarinho jogar. Por tudo isso, passamos anos desfrutando da beleza do nosso futebol e do avanço que tínhamos sobre os demais.

Acreditamos que tudo era possível ao país que tem no DNA de seu povo, o talento do futebol.

Hoje, olhando ao redor, mais próximos da encruzilhada, ainda pelo caminho que construímos, vemos sonhos, delírios e extravagâncias que desperdiçaram tempo e dinheiro e não se transformaram em nada. Um período sonolento em que a falta de capacidade se justificou de inúmeras formas, especialmente pelo passado esplendoroso que construímos.

Mas eis que recentemente, atônitos e ainda parados na estrada, fomos despertados pelo barulho ruidoso dos motores espanhóis, holandeses e alemães que passaram por nós sem pedir licença. Aceleraram em tamanha velocidade que ainda não conseguimos reparar quais as novas peças da engrenagem os fazem acelerar tão depressa.

E cá estamos nós, olhando fixamente para a encruzilhada buscando dicas de para onde seguir ou qual o melhor caminho a tomar...


http://www.blogdopauloandre.com.br/comentarios.php?post=80

 

TAGS: futebol, brasil, categoria de base, futebol brasileiro

 

Postado por Paulo André em 09/05/2011 às 12:52h


O seu dom é voar

 

Assim como todo gênio em seu esporte, ela não para de se superar e vencer. Ela não para de encantar pessoas ao redor do mundo com sua história e com suas conquistas.

Superação, dedicação, técnica e muito amor, são qualidades dessa mulher, que mais uma vez nos surpreendeu.

Vi poucas pessoas no mundo com essa força de vontade e capacidade de se levantar a cada queda. Parece que a sua prova, o salto em distância, ensinou-a a não ter medo de cair, a não ter medo de se jogar, buscando sempre voar e ultrapassar as leis da física.

Essa busca incessante fez com que o destino e a física lhe impusessem algumas barreiras, que ela soube saltar como uma verdadeira atleta. Apesar de não ser especialista nesse tipo de prova, também tem o recorde sul-americano dos 100 metros com barreiras feminino, com 12,71s. Mas todos sabem que a sua prova é mesmo o salto em distância, e ela provou isso, mais uma vez na última semana, ao assombrar aqueles que a acompanham, fazendo o impossível se tornar fácil.

Depois de um séria cirurgia no joelho esquerdo, e quase dois anos de idas e vindas devido a lesões , ela conseguiu voar e cair a 6,87m depois do ponto de decolagem. A segunda melhor marca do ano na categoria.
Quem a conhece orgulha-se de vê-la treinar e se preparar, pois a maneira como faz isso todos os dias a torna incomparável e merecedora de seus feitos. Ela busca incansavelmente ser melhor hoje do que ontem, mesmo que não tenha ninguém assistindo ou acompanhando seus treinos. Isso é o que ela faz de melhor.

Até porque, chorar de felicidade ao atingir bons resultados nos treinos, mesmo depois de já ter conquistado uma carreira de sucesso e uma medalha olímpica, não é pra qualquer um. Só quem realmente se entrega de corpo e alma durante anos e anos de trabalho sabe o valor de cada centímetro conquistado e se comove com isso. (E olha que eu presenciei isso mais de uma vez).

Bom, acho que vocês sabem de quem estou falando, minha amiga e ídola, Maurren Maggi.

 

Assim como todo gênio em seu esporte, ela não para de se superar e vencer. Ela não para de encantar pessoas ao redor do mundo com sua história e com suas conquistas.

Superação, dedicação, técnica e muito amor, são qualidades dessa mulher, que mais uma vez nos surpreendeu.

Vi poucas pessoas no mundo com essa força de vontade e capacidade de se levantar a cada queda. Parece que a sua prova, o salto em distância, ensinou-a a não ter medo de cair, a não ter medo de se jogar, buscando sempre voar e ultrapassar as leis da física.

Essa busca incessante fez com que o destino e a física lhe impusessem algumas barreiras, que ela soube saltar como uma verdadeira atleta. Apesar de não ser especialista nesse tipo de prova, também tem o recorde sul-americano dos 100 metros com barreiras feminino, com 12,71s. Mas todos sabem que a sua prova é mesmo o salto em distância, e ela provou isso, mais uma vez na última semana, ao assombrar aqueles que a acompanham, fazendo o impossível se tornar fácil.

Depois de um séria cirurgia no joelho esquerdo, e quase dois anos de idas e vindas devido a lesões , ela conseguiu voar e cair a 6,87m depois do ponto de decolagem. A segunda melhor marca do ano na categoria.
Quem a conhece orgulha-se de vê-la treinar e se preparar, pois a maneira como faz isso todos os dias a torna incomparável e merecedora de seus feitos. Ela busca incansavelmente ser melhor hoje do que ontem, mesmo que não tenha ninguém assistindo ou acompanhando seus treinos. Isso é o que ela faz de melhor.

Até porque, chorar de felicidade ao atingir bons resultados nos treinos, mesmo depois de já ter conquistado uma carreira de sucesso e uma medalha olímpica, não é pra qualquer um. Só quem realmente se entrega de corpo e alma durante anos e anos de trabalho sabe o valor de cada centímetro conquistado e se comove com isso. (E olha que eu presenciei isso mais de uma vez).

Bom, acho que vocês sabem de quem estou falando, minha amiga e ídola, Maurren Maggi.

 

 

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Parabéns mais uma vez… E, sem colocar muita pressão, sei que você vai trazer mais uma medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

Saiba que vamos acompanhá-la daqui, pois você é a tradução perfeita do que é ser atleta.

P.A


http://www.blogdopauloandre.com.br/comentarios.php?post=46

 

TAGS: atletismo, atleta, brasil, histórias, ídolos, maurren maggi

 

Postado por Paulo André em 01/08/2012 às 18:22h


Texto novo, vídeo velho

 

Os apaixonados por esporte ficam em êxtase durante os Jogos Olímpicos. Acompanham todas as modalidades, dão pitacos no arco e flecha, badminton e handball mesmo que nunca tenham praticado nenhum deles. Torcem como loucos no boxe, judô ou vela, teimando em contrariar as decisões dos juízes, mesmo sem ter o total domínio sobre as regras. No fundo eles querem vibrar, torcer, entender mais... Querem aplaudir, chorar de emoção com as histórias de superação de jovens promovidos a heróis do dia pra noite... Querem se identificar com esses talentosos compatriotas que carregam e elevam a bandeira do Brasil pelo mundo afora.

Então, por essas simples razões, estamos (já me incluí) desde sexta-feira sentados à frente da TV e do computador para acompanhar nossos \"pracinhas\" e ganhamos de presente, meio que sem esperar, um primeiro dia mágico de competição, como nunca antes visto.

Três medalhas - ouro, prata e bronze - justamente nas Olimpíadas em que entramos mais desconfiados, acreditando que \"poderia ou deveria\" ser uma das piores participações da nossa história nesta competição.

Pois bem, passada a alegria do primeiro dia, volto à razão e começo a analisar as entrevistas dos nossos campeões que, logicamente, agradeceram e elogiaram o Bolsa Atleta e as federações pelo apoio e incentivo às suas carreiras. Disseram-se também muito felizes com a visita do Ministro Aldo Rebelo (a quem, pessoalmente, respeito) quando na verdade era o Ministro que deveria sentir-se lisonjeado por ter sido recebido pelos vencedores olímpicos, como um pai recebido pelo filho abandonado ainda na infância.

Sou obrigado a fazer um parênteses, em forma de desabafo, para depois continuar. (...)

 

 

Os apaixonados por esporte ficam em êxtase durante os Jogos Olímpicos. Acompanham todas as modalidades, dão pitacos no arco e flecha, badminton e handball mesmo que nunca tenham praticado nenhum deles. Torcem como loucos no boxe, judô ou vela, teimando em contrariar as decisões dos juízes, mesmo sem ter o total domínio sobre as regras. No fundo eles querem vibrar, torcer, entender mais... Querem aplaudir, chorar de emoção com as histórias de superação de jovens promovidos a heróis do dia pra noite... Querem se identificar com esses talentosos compatriotas que carregam e elevam a bandeira do Brasil pelo mundo afora.

Então, por essas simples razões, estamos (já me incluí) desde sexta-feira sentados à frente da TV e do computador para acompanhar nossos \"pracinhas\" e ganhamos de presente, meio que sem esperar, um primeiro dia mágico de competição, como nunca antes visto.

Três medalhas - ouro, prata e bronze - justamente nas Olimpíadas em que entramos mais desconfiados, acreditando que \"poderia ou deveria\" ser uma das piores participações da nossa história nesta competição.

Pois bem, passada a alegria do primeiro dia, volto à razão e começo a analisar as entrevistas dos nossos campeões que, logicamente, agradeceram e elogiaram o Bolsa Atleta e as federações pelo apoio e incentivo às suas carreiras. Disseram-se também muito felizes com a visita do Ministro Aldo Rebelo (a quem, pessoalmente, respeito) quando na verdade era o Ministro que deveria sentir-se lisonjeado por ter sido recebido pelos vencedores olímpicos, como um pai recebido pelo filho abandonado ainda na infância.

Sou obrigado a fazer um parênteses, em forma de desabafo, para depois continuar.

(Devido a minha amizade com alguns medalhistas olímpicos aposentados ou em atividade, perguntei por que elogiavam algo que não concordavam ao invés de usar o bom momento para reclamar melhores condições. Como resposta, foi explicado que a necessidade do patrocínio de empresas estatais, do Governo do Estado e do Bolsa Atleta os impediam de fazer algo diferente. E por mais que soubessem que não havia estrutura, apoio ou investimento de forma razoável para que pudessem desenvolver suas carreiras ou o esporte brasileiro, eram \"obrigados\" a agradar (entendendo serem usados descaradamente) como manobra política para continuar a sobreviver por meio do esporte).

Sigamos em frente com o texto.

De qualquer forma, estas três conquistas aliviaram enormemente a pressão sobre nossos dirigentes que, na ânsia de evitar problemas, já haviam (inteligentemente) pré-descartado ou pré-justificado o medo/fracasso com um discurso bem simples: \"Estamos preparando nossos atletas e a próxima geração para daqui a quatro anos, na Rio 2016\".

Só que ao ouvir isso, tive um estalo: \"Hein? Como é que é? Somos bobos, mas essa não dá para engolir…\"

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos no dia 2 de outubro de 2009, ou seja, mais de um ano depois da Olimpíada de Pequim e há três anos dos Jogos de Londres. O que quero dizer é que no momento em que fomos eleitos sede dos jogos de 2016, os atletas de Londres já estavam “definidos” ou, no mínimo, tínhamos ideia dos nossos possíveis “heróis”. Além disso, todo o planejamento de metas e objetivos, planos públicos de investimento, destinação de verbas, identificação de novos talentos, construção ou manutenção de centros de treinamento, organização, programação e participação dos atletas nas melhores e mais importantes competições até Londres 2012, já estavam estabelecidos, correto?

Tomara que sim. Esse é o mínimo que espero de quem gere o esporte no país. Não estou falando de extravagâncias, utopias, gastos exorbitantes, nem de formar atletas em 2009 para competir em 2012, isso é impossível. Mas oferecer estrutura de treinamento e desenvolvimento aos atletas, ajudar na criação e manutenção de ligas e campeonatos saudáveis e de bom nível, possuir um projeto com começo, meio e fim que não seja apenas manobra política anunciada às vésperas de grandes eventos esportivos não é pedir muito. Porque na prática me parece que a resposta à pergunta do parágrafo acima é não - o planejamento não havia sido feito, não estava estabelecido.

Resumindo, o resultado dessa Olimpíada nada tem a ver com o que “deve” estar sendo feito para Rio 2016, e sim com a falta de estratégia, logística, estrutura, capacidade de gestão, cultura esportiva e incentivo oferecidos aos atletas e treinadores além, é claro, da falta de transparência na utilização dos felpudos R$2,1 bilhões que foram investidos nesse ciclo olímpico, oriundos das verbas do Ministério do Esporte, da Lei Piva, da Lei de Incentivo ao Esporte e de empresas estatais. Mas também, com presidentes de federações há mais de 10, 15, 20 anos no poder, como vamos esperar melhorias?

Por isso, segue um vídeo produzido pela ESPN Brasil, narrado pelo jornalista Fernando Victorino em 2008 e postado neste blog em 4 de Maio de 2011, cujo texto foi escrito pelo Professor Ronaldo Pacheco e que retrata bem a realidade do que tem sido feito com o esporte brasileiro. Ele toca em pontos fundamentais que devem ser levantados pela sociedade, pelos atletas (que devem se mobilizar e reclamar por melhorias), pelos treinadores, pelos gestores do esporte e pelos políticos, pois caso contrário, este vídeo ainda será, infelizmente, uma representação atual no final desta olimpíada e da Rio 2016.

 

P.A

 


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