Postado por Paulo André em 21/05/2012 às 12:52h


A fábula dos pênaltis

 

O Chelsea sagrou-se campeão europeu no último sábado e para isso usou a histórica receita futebolística alemã que ensina que para ser campeão deve-se chegar, antes de mais nada, à final.

Por mais lógico que possa parecer, pouca gente no futebol pensa dessa forma.

Mas eu queria falar de outra coisa... Algo que povoa minha mente há algum tempo e que ficou latente no último mês, depois de tantos pênaltis perdidos (Messi, Cristiano Ronaldo, Kaka, Robben, Schweinsteiger, etc...)

Trata-se do fatídico ano de 1970 em que alguém, provavelmente um goleiro frustrado, magoado por ter sido considerado inúmeras vezes o vilão de um jogo de futebol, resolveu inventar uma nova regra (...)

 

O Chelsea sagrou-se campeão europeu no último sábado e para isso usou a histórica receita futebolística alemã que ensina que para ser campeão deve-se chegar, antes de mais nada, à final.

Por mais lógico que possa parecer, pouca gente no futebol pensa dessa forma.

Mas eu queria falar de outra coisa... Algo que povoa minha mente há algum tempo e que ficou latente no último mês, depois de tantos pênaltis perdidos (Messi, Cristiano Ronaldo, Kaka, Robben, Schweinsteiger, etc...)

Trata-se do fatídico ano de 1970 em que alguém, provavelmente um goleiro frustrado, magoado por ter sido considerado inúmeras vezes o vilão de um jogo de futebol, resolveu inventar uma nova regra. Exaurido pelas insistentes máximas que teimavam em expor que abaixo dos três paus nem mesmo a grama ousa nascer, decidiu, de súbito, jamais permitir que outro arqueiro sentisse o que ele próprio havia experimentado durante seu período como atleta: a incapacidade de ser herói.

Para isso, antecipou sua aposentadoria e fez de tudo para adquirir uma posição de destaque como dirigente da federação inglesa. O intuito era articular junto a seus pares algo cujo único objetivo seria o de elevar sua classe e chamar a atenção do mundo às suas habilidades manuais que nada tinham a ver com o famoso Foot-ball bretão. No fundo ele queria oferecer um alento, uma oportunidade de salvação aos injustiçados goleiros que até então eram os estraga prazeres de um povo sedento por gols e comemorações.

Sua lembrança o remetia ao ápice dessa tirania, algo que ele ouvira na infância, numa transmissão de rádio que narrava a final da Copa do Mundo de 1950 e que o levara, a partir de então, a querer ser goleiro de futebol. Na memória, mantinha um sentimento solidário ao Barbosa, goleiro brasileiro que fora responsabilizado pelo segundo gol uruguaio que decretara a derrota do Brasil diante de duzentas mil pessoas, na  tragédia que ficou conhecida como Maracanazzo.

Abençoar uma profissão amaldiçoada, repleta de indícios de injustiça e de ingratidão era uma tarefa dificílima. E para tal fim soube, como um mestre sorrateiro, esperar o momento certo para aplicar o golpe fatal, arquitetado durante anos e que traria, para sempre, uma faísca de alegria aos seus antigos colegas de posição. Mais do que isso, honraria seu grande ídolo, Barbosa.

Naquela manhã chuvosa e cinzenta em Londres, o ex-goleiro sentou-se à mesa e expôs sua ideia. Como fator preponderante para o convencimento dos demais diretores, usou o argumento do aumento da emoção e do suspense que tal procedimento, se aprovado, geraria nos apaixonados corações de milhões de torcedores e que, por consequência, enriqueceria os cofres da federação. Isso foi suficiente para convencer os nobres ingleses a criarem, para desempatar uma partida de futebol, a temida e sofrível disputa alternada de pênaltis.

Com vendas nos olhos, não perceberam a real intenção do depressivo ex guarda-redes, que conseguiu criar uma situação em que os goleiros jamais seriam cobrados para defender. Pelo contrário, só poderiam sair exaltados como heróis milagreiros, já que toda a responsabilidade das cobranças estaria, para sempre, sobre os ombros dos jogadores de linha...

E foi assim, nesse mesmo ano, numa partida entre o Hull City e Manchester United, que ocorreu a primeira disputa de pênaltis da história.  

Não me pergunte o resultado, isso pouco importa. O que importa é que, a partir deste dia, o futebol nunca mais foi o mesmo...

Abs,
P.A
 

 

TAGS: histórias

 


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