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Posts de Setembro / 2011

 

Abrindo o debate

Em 29/09/2011 às 10:26h
 
Criei o blog para interagir, expor minhas ideias e ouvir novas sugestões. Então separei três temas que gostaria de discutir com vocês. Na semana que vem, vou ler os comentários e debatê-los, ok?

1) Atualmente na Inglaterra, Espanha e outros países europeus é permitida a inscrição de apenas 25 atletas por clube para a disputa do campeonato nacional. Se na janela de transferência o clube quiser recrutar novos jogadores, deve quitar o contrato com o atleta que sai da lista ou emprestá-lo a um novo time. Caso contrário não é possível adquirir um novo jogador. Você acha isso benéfico para a qualidade do espetáculo e para a saúde financeira dos clubes, além do respeito à classe de jogadores? (O Vitória da Bahia contratou mais de 50 atletas no ano de 2011)

2) Vocês acham que a data limite para inscrição de jogadores também deveria ser a data limite para mudança de treinadores? O treinador não é considerado um reforço para a equipe?

3) Por que a Copa América de futebol não ocorre simultaneamente com a Eurocopa? Não seria melhor para atletas e clubes - especialmente europeus, que cedem seus jogadores a equipes nacionais - que o calendario mundial fosse sincronizado para que o descanso e a preparação fossem melhores?

De acordo com os comentários, vou postando minhas ideias.

Abs

P.A


O Futebol Europeu

Em 09/09/2011 às 13:22h

O futebol europeu

 
Um dos primeiros jogadores brasileiros a deixar o Brasil e jogar na Europa foi Evaristo de Macedo que, na década de 1950, trocou o Flamengo, tricampeão carioca, pelo Barcelona FC, da Espanha. Ficou no clube catalão por cinco anos, antes de se transferir para o rival, Real Madrid, onde jogou por mais três anos até voltar ao Flamengo para encerrar sua carreira. Nesse período na Espanha, Dom Evaristo, como é conhecido até hoje por lá, marcou 178 gols e jogou num dos melhores times do todos os tempos com Puskas, Di Stefano, Kubala e Suárez. Para se ter uma ideia do seu sucesso, ele foi a primeira pessoa na história a fazer parte tanto do museu do Barcelona quanto do Real Madri, eternos rivais espanhóis.

Tive a sorte de trabalhar com ele em 2005, no Atlético Paranaense, onde fizemos uma ótima campanha juntos no Campeonato Brasileiro daquele ano. Foi seu último trabalho antes de se aposentar e aproveitar sua vida com o conforto que o futebol lhe proporcionou. Certo dia, em algum hotel por aí, perguntei a ele o que o motivava a estar ali, em campo, mesmo com a idade avançada e a vida ganha. Ele me respondeu que em primeiro lugar não estava com a vida ganha, afinal dinheiro nunca era demais, e depois completou dizendo que o futebol era a coisa que ele mais amava na vida e que não conseguia ficar longe dos campos por muito tempo.

Meu sincero respeito e agradecimento a ele e tantos outros que abriram mão de defender a Seleção Brasileira para jogar na Europa, pois naquela época não se sabia quase nada do futebol de lá, muito menos sobre o desempenho dos jogadores brasileiros que lá atuavam. Os “aventureiros” faziam as viagens de navio, tinham que se comunicar por cartas e deixavam a pátria amada de lado em busca de uma nova vida. Dom Evaristo foi um dos pioneiros desse movimento e abriu portas para que o futebol e o atleta brasileiro fossem admirados e respeitados lá fora. Depois dele e dos títulos mundiais de 1958, 1962 e 1970 muitos outros vieram, fizeram história e aumentaram ainda mais nossa fama pelo mundo todo. Graças a eles, hoje somos o país que mais exporta jogadores ao mundo. Somos queridos e admirados onde quer que estejamos.

Mas a imagem do jogador brasileiro lá fora já não é tão boa como antigamente. Nos últimos anos, as atitudes e a postura de muitos atletas brasileiros no exterior têm manchado a boa imagem do futebol brasileiro e dificultado um pouco a contratação dos nossos jogadores pelos grandes clubes europeus. José Mourinho disse certa vez que preferia trabalhar com africanos a brasileiros, porque os africanos esqueciam sua pátria, se entregavam ao trabalho e estavam abertos a novas aprendizagens enquanto o brasileiro não conseguia deixar o Brasil pra trás, não conseguia perder vícios e costumes do futebol brasileiro e, o pior de tudo, chegava mimado como uma criança ao futebol europeu, achando que os clubes e seus empregados teriam que realizar todas as suas vontades.

Na época em que li essa matéria estava na França e fiquei horrorizado com as palavras de José Mourinho. Me lembro de tê-la discutido com outras pessoas dizendo que não poderia se comparar o Brasil com o continente africano e que, sem dúvida, era muito mais difícil esquecer o Brasil, seu futebol e sua história do que esquecer qualquer país africano. Hoje, vendo a atitude de alguns jogadores brasileiros que não conseguem permanecer nem seis meses na Europa, entendo perfeitamente o que o treinador português quis dizer.

A primeira reação que temos ao chegar a um clube europeu é dizer que os jogadores são muito ruins tecnicamente. Depois dizemos que os treinos são chatos e falta alegria. E por último, reclamamos da língua e da temperatura. Eu também demorei um pouco para perceber que quem deveria mudar era eu e não o clube ou os profissionais que lá estavam. Entendi depois de bater a cabeça algumas vezes que não se pode mudar a cultura de um país ou de seu futebol. Somos nós, estrangeiros, que temos que nos adaptar e entender as razões pelas quais eles zelam por aqueles valores, aquele modo de jogo, de vida e de lidar com os atletas. Para isso, temos que ter a mente aberta para aprender e evoluir, dentro e fora de campo. Caso contrário, não conseguiremos desempenhar nosso melhor futebol no velho continente. Consequentemente, buscaremos a volta precoce ao Brasil como salvação à nossa carreira e felicidade.


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