À noite, ao chegar em casa depois de uma partida, vemos pessoas queridas, comentamos um pouco sobre o jogo, comemos alguma coisa e tentamos ver e rever os noticiários atrás dos lances. Até aí tudo bem! O problema está na hora de dormir.
O corpo está cansado, mas a mente ainda trabalha a mil por hora. Cada vez que fechamos os olhos, um momento do jogo vem à cabeça, um lance decisivo, uma nova opção de jogada ou um gesto bem executado, qualquer um deles invade nosso ser com um sentimento de satisfação ou às vezes de arrependimento. Dúvidas povoam nossa mente com mudanças, opções, críticas e elogios que nos perturbam ou nos alegram e ditam, mesmo que internamente, nosso futuro dali pra frente. “Preciso dormir porque em três dias teremos um novo duelo, cheio de oportunidades, improvisos e dificuldades”.
Só uma coisa é certa: tudo isso ainda estará lá (dentro da cabeça) depois do próximo jogo, e do próximo, e do próximo... melhor começar a relaxar.
Então, já bem tarde da noite, nosso corpo (cansado) vence a nossa mente (ligada) e conseguimos dormir.
Segunda-feira pela manhã, por volta das 9 horas, já estamos no clube prontos para o trabalho. Quem nunca acompanhou futebol e por acaso está visitando a estrutura do CT nesse dia nem precisa perguntar se o time ganhou ou perdeu. Pela chegada e movimentação dos atletas fica fácil perceber o que aconteceu no dia anterior. Gritos, sorrisos e brincadeiras acompanham uma boa vitória, enquanto caras feias, silêncio e olhares desconfiados entregam a derrota do último jogo.
Independente do resultado, temos um treino regenerativo (musculação leve, alongamento, core training e piscina) para os que atuaram o jogo inteiro. Para os que não jogaram ou entraram no decorrer da partida, treino técnico/físico no campo, para tentar não perder a forma.
Muitos atletas reclamam por ter que treinar pela manhã quando jogam no dia anterior. Eles prefeririam dormir até tarde e ir ao CT depois das 15 horas, mas estudos dizem que quanto antes você fizer o treino regenerativo, melhor fica a recuperação do organismo. Pelo menos é assim que os preparadores físicos nos convencem disso. Normalmente, ao final do jogo e 48 horas após o termino da partida, os fisiologistas do clube recolhem uma pequena amostra de sangue de cada um para examinar e analisar qual o desgaste físico e como está a recuperação muscular dos atletas, facilitando assim a identificação dos que estão mais suscetíveis a lesões musculares naquele momento da competição.
Depois do treino, vemos uma folha de papel pendurada no painel dentro do vestiário com a lista de nomes convocados para a partida de quarta-feira. Isso serve para nos lembrar que teremos que trazer as malas arrumadas no dia seguinte para a concentração. Já é mais de meio dia quando deixamos o CT, em direção às nossas casas.
Muitas vezes a segunda à tarde vira o nosso domingo e a maioria dos atletas aproveita para fazer coisas corriqueiras do dia a dia como ir ao banco, levar os filhos ao shopping, ficar em casa, sair para jantar etc… Assim como o final de semana de qualquer trabalhador, a folga passa voando e já é hora de retornar ao trabalho.
Terça de manhã, às 9 horas, estamos no campo, prontos para repetir o treino de sábado (vide post anterior
Rotina dos Atletas Parte I).
Saindo dali, vamos almoçar no hotel e aguardar a partida de quarta-feira, que só acontecerá às 22 horas. Temos praticamente mais um dia e meio de descanso e concentração, o que é importante quando se joga três partidas em menos de sete dias.
E a saga continua… no próximo post
Abs,
P.A