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20 dias de Pré-temporada

Em 22/07/2011 às 13:18h

20 dias de Pré-Temporada

Mencionei esses dias em entrevista ao Juca Kfouri e ao programa Arena SporTV um pedido que fiz em nome dos atletas para que o sindicato enviasse um ofício à Federação Paulista de Futebol exigindo um período mínimo de 20 dias de preparação para os atletas antes do primeiro jogo oficial de 2012. Como exemplo, citei que neste ano (2011), tivemos apenas 12 dias de preparação, apresentando-nos no dia 5 de janeiro e estreando no dia 17 do mesmo mês, o que foi insuficiente para atingir um estágio adequado de preparação e, consequentemente, de segurança para a prática de um esporte em alto nível.

Para minha surpresa, li uma matéria esses dias dizendo que o presidente do sindicato, em reunião com o vice da federação e um diretor da Globo, acertaram mais cinco dias de pré-temporada antes da primeira partida do Campeonato Paulista. Pelo menos a matéria dizia que ao invés de 10 dias, nós atletas teríamos 15 dias de preparação (Ninguém contou que tivemos 12 dias esse ano? 12 + 5 = 17). Fiquei chateado porque acho que uma questão tão importante e de fácil apelo para unir e movimentar a classe, não tenha sido bem explorada pelo sindicato. Todos sabem que devemos ter no mínimo 20 dias e que qualquer coisa aquém disso é desumano com atletas de alto rendimento (vou mostrar durante o texto o por que dessa opinião). Mas aproveito para perguntar então por que uma coisa que nos (atletas) interessa a fundo foi discutida de uma forma tão silenciosa e com um resultado nada agradável aos jogadores?

Não sei responder...

O curto período de preparação é prejudicial não só à saúde do atleta, mas principalmente à beleza do espetáculo por eles produzido. É impossível apresentar um bom futebol depois de um mês de férias quando você tem apenas 12 dias de treinos. É desumano expor atletas de alto rendimento a este tipo de situação, já que fica latente uma possível lesão pela falta do condicionamento físico ideal e falta de qualidade na execução dos gestos técnicos. Pular etapas nesta fase inicial de preparação pode influenciar negativamente a performance do atleta e da equipe durante todo o ano.

Por isso cultivo a opinião de que o próprio campeonato estadual, ao encurtar os períodos de preparação e ao espremer o calendário enchendo-o com jogos de quarta e domingo no início de uma temporada (entre janeiro e março) se mata sozinho e prejudica as entidades filiadas à sua própria federação – no caso os clubes do seu estado que terão que disputar torneios nacionais e internacionais importantes ao longo de todo o ano, tais como Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro.

O mesmo faz a CBF – “prejudica” os clubes brasileiros – ao votar na permanência do presidente da Commembol depois de décadas no poder, permitindo que a fórmula de disputa da Taça Libertadores se mantenha a mesma, ou seja, uma competição disputada em apenas cinco meses, com sua fase de mata-mata (mais importante) no final dos campeonatos estaduais e início do Campeonato Brasileiro. Enquanto isso, a milionária Liga dos Campeões dura de 8 a 9 meses, é super rentável e tem seu ápice ao final dos torneios nacionais europeus.

A FPF que, segundo seu site, tem o dever de ajudar as entidades de prática desportiva e ligas filiadas a ir ao encontro de sua autosuficiência e de suas necessidades financeiras; Incrementar a cultura física, intelectual, moral e cívica dos desportistas, especialmente da juventude; Contribuir para o progresso material e técnico das entidades de prática desportiva filiadas, que constituem a base da organização desportiva nacional; e Promover campanhas educacionais, principalmente para a juventude, incentivando, por meio de trabalhos promocionais ou outro qualquer meio possível, o futebol como espetáculo, não tem feito o que se propõe.

A enorme quantidade de jogos somada a confrontos de baixo nível técnico e físico, resultam em estádios vazios e em baixas audiências televisivas. Um levantamento feito pela Folha de S. Paulo mostra que 33% das partidas do campeonato paulista têm dado prejuízo aos clubes mandantes, que vivem não de renda ou prestação de serviços aos seus torcedores (muito menos de ações de marketing ou formação de jovens atletas), mas sim de uma cota paga pela Federação Paulista de Futebol de R$ 1,8 milhões aos “pequenos” e R$ 9 milhões aos “grandes”. Essa cota é o sustento do ano todo da maioria dos clubes do interior, que hoje já não representam a potência ou a fábrica de craques de outrora.

Para fugirem do risco de jogar o ano fora por uma pré-temporada mal feita, os clubes “grandes” acabam escalando times reservas, priorizando a preparação à competição, pois entendem que a longo prazo este será o melhor caminho para seus clubes. Mas essa não é uma opção para os pequenos de verdade, das séries A2, A3 e segunda divisão paulista, que se encontram em enorme dificuldade financeira e estrutural, sem nem ao menos conseguir honrar seus compromissos com atletas, funcionários ou impostos.

Na minha opinião, para que essa realidade mude a briga não deveria ser enfrentada só pelos atletas, mas sim por todos os envolvidos nesta questão. Médicos, fisioterapeutas e preparadores físicos – que antes de assumirem a posição de defender seus clubes e seus empregos assumiram a responsabilidade de serem professores de educação física ou profissionais da área de saúde – deveriam expor os riscos e as dificuldades de se acelerar o processo de treinamento, embasando-se na ciência para defender os limites do corpo humano e ao mesmo tempo das loucuras dos que criam calendários (visando bons acordos comerciais) em nosso país. Mais que isso, acredito que além deles, os treinadores também deveriam se movimentar nesta direção de defesa, até mesmo como proteção para seus cargos que são expostos a mudanças abruptas no caso de duas ou três derrotas seguidas. Não há santo ou mágico que faça um time funcionar em 12 dias, então acho que é de interesse desta classe que as coisas sejam corrigidas, já que a exigência de uma preparação mais longa dará a possibilidade de um maior número de treinos e, consequentemente, uma maior aplicação de seus conhecimentos técnicos e táticos em prol da equipe.

Eu não pararia por aí. Há mais gente que deveria entrar nessa luta, talvez a parte que mais sofra e mais se desgaste com tudo isso. Estou falando dos torcedores que, por amor a seus times, continuam comprando e consumindo futebol dia após dia, mesmo sabendo que consomem um produto de baixa qualidade (se comparado ao que poderia ser), um espetáculo e prestação de serviços de terceiro mundo, desde a chegada e saída do estádio com filas e desorganização, sem estacionamento nem transporte publico de qualidade, péssima qualidade nos serviços de compra de ingressos e de estrutura dos estádios (desde banheiros até alimentação, violência, etc). Ainda assim, gastam todo seu dinheiro em viagens para acompanhar seu time do coração, comprar camisas, pay per view e produtos dos patrocinadores de suas equipes. Esses torcedores, que são o motivo da própria existência do futebol e seus campeonatos, fazem tudo isso pela paixão e não pela qualidade do espetáculo. E é por isso que os organizadores de eventos esportivos no Brasil ainda não decidiram mudar. Eles continuam a não se preocupar com a qualidade dos gramados, dos estádios, da performance dos jogadores e com belos espetáculos. Eles depositam toda a esperança de absolvição pelos maus serviços prestados na paixão do brasileiro por esse esporte e na falta de reivindicação de todos os envolvidos. E o pior é que com a nossa passividade, eles têm obtido sucesso e se mantêm no poder.

Acho que é hora de mudarmos nossas atitudes ou continuaremos a perder a hegemonia do futebol mundial a outros países menos tradicionais. Quero fazer a minha parte e tenho certeza que de alguma forma muitos interessados irão se mobilizar pelo futebol do Brasil.

P.A


Carta aos atletas

Em 08/07/2011 às 13:32h

Por que será que as derrotas têm um sentimento mais amargo e marcam mais para os atletas do que as vitórias?

A alegria da vitória passa voando, pois em um curto período de tempo você terá que provar sua capacidade novamente. Já a derrota, mesmo podendo-se vencer na próxima competição, machuca a alma, deixa marcas e feridas internas que poucos conseguem perceber. Esse fato, mesmo que inconsciente, dita o futuro, as mudanças e os sentimentos, como se a partir dali, a mente trabalhasse em piloto automático, buscando navegar em águas tranquilas, evitando nova decepção.

Começa uma louca busca pela perfeição, para que não se erre, não se perca e não se desiluda. Um sentimento, um pensamento, um fardo imaginário que se carrega, repleto de cobranças internas e externas, medos e inseguranças, aliados a uma única certeza, a de que não se é bom o suficiente, mesmo quando se é um dos melhores do mundo.

Infelizmente, essa busca ganhou força ao longo dos séculos, e se disseminou como verdade absoluta, conquistando adeptos pelos quatro cantos do mundo. Como resultado, instaurou na cabeça dos atletas dúvidas e fraquezas, sentimentos como o medo de falhar e a baixa auto-estima, sem se importar com as consequências de sua prática na vida pessoal de cada um.

Eis então o martírio dos atletas de alto rendimento, que, como máquinas, repetem exaustivamente cada gesto, tentando encontrar a maldita da perfeição. Se as pessoas soubessem o que sofrem e o que passam por não serem perfeitos, o que se cobram e deixam de tentar por saberem que poderiam fracassar, talvez ensinassem que a perfeição não está ali para ser alcançada, porque ela simplesmente não existe. O conceito da perfeição, esse sim, deveria ter morrido na horrenda fogueira da inquisição.


Ninguém quer um robô, perfeitamente frio, perfeitamente sem emoção. Se não há emoção, não se pode ser perfeito e se há emoção é impossível que o seja. Eis a lógica que destrói a ideia atual de alguns formadores de atletas.

Quando se derem conta disso, atletas se tornarão seres humanos mais felizes, aliviados. Quando aprenderem que o melhor é buscar a superação, ser melhor hoje do que ontem, terão um ganho de confiança e de possibilidades, que com certeza, os farão sentir ainda mais prazer com a vida e com o esporte, e quem sabe assim, consigam maravilhar ainda mais o mundo com seus feitos.

Para isso, basta que saibamos a verdade: a única perfeição desse mundo é a imperfeição!

P.A



Ser Atleta

Em 01/07/2011 às 14:32h

Ser atleta é como paixão de adolescente.

Uma vontade incontrolável e avassaladora de querer estar junto, grudado, como se fosse possível viver num só corpo. Nada mais importa, só aquilo nos alegra e nos dá vida! Sonhar acordado, sentir os pés decolarem do chão, voar e fazer acrobacias, sem medo de errar, sem medo de cair. Sentir prazer com a saudade e com a dor, e ainda, esperar ansioso que outro dia comece para que sintamos tudo novamente. Quando se sente isso pela primeira vez, parece que a eternidade está logo ali, é palpável.

Eis que surgem os primeiros beijos, as primeiras vitórias, potencializando ainda mais essa paixão. Mas como nada é perfeito, surgem também as primeiras brigas, assim como as primeiras derrotas, machucando a alma, tornando tudo escuro, dando a sensação de que agora, é esse sentimento que será eterno e que outro amor ou outra oportunidade de vitória jamais voltarão a aparecer.

A técnica do esporte se aprende com exaustiva repetição, da mesma forma que a vivencia diária entre dois amantes, que ao longo do tempo se tornam parceiros e se conhecem num olhar, num gesto ou até mesmo no silêncio. Os gênios do esporte também têm essa relação com a bola, com a raquete e com as pistas, é amor.

A força mental do jogo se desenvolve nas vitórias e nas derrotas, como se as idas e vindas do amor, as brigas e os acertos, tivessem o poder de expandir um novo horizonte em nossas mentes, nos fazendo amadurecer e enxergar que quanto mais aprendemos, mais distantes ficamos do ponto que julgávamos ser ideal.

Para o atleta, o físico (corpo) é o instrumento de trabalho, a coisa mais preciosa da sua vida, e precisa, assim como o ser amado, de cuidados diários como carinho, atenção, alimento e paciência pois reconhece que é ali, naquela pessoa (corpo), que estão depositadas suas esperanças de felicidade (mesmo que digam que não se deve ser assim, poucos conseguiram evitar esse sentimento). Sem ela, não haveria ar, não haveria pernas para caminhar ou forças pra sobreviver.

Tanto no amor quanto no esporte, as desilusões são inevitáveis, os prazeres também. Para ambos, existem riscos, dos mais diversos. A profundidade que alcançaremos em qualquer um deles está diretamente relacionada ao tamanho dos riscos que estamos dispostos a correr.

Não há ninguém nesse mundo que jamais se deparou com as difíceis dúvidas: Devo tirá-la para uma dança? Será que ligo pra ela agora? É a hora de beijá-la? Chuto ou passo? Direita ou esquerda? Exploro o bloqueio ou desço a mão na bola?

Na verdade não se pode pensar muito, os concorrentes estão soltos pelo salão, assim como pelos gramados e pelas quadras. Deve-se agir, instinto, desejo e paixão, andando lado a lado com o medo, com a vergonha e a decepção. As chances de dar certo são grandes se você está preparado e disposto a entrar nesse caldeirão.


P.A



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