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Ir ou não ir, eis a questão

Em 22/02/2011 às 08:13h

Essa semana, depois da notícia de que o Jucilei poderia deixar o clube para jogar no futebol russo, mais precisamente no longínquo e desconhecido clube Anzhi Makhachkala, da República do Daguestão, foi inevitável o questionamento de muitos amigos, taxistas, porteiros, torcedores em geral sobre a minha opinião no assunto.

A pergunta era: Você acha que ele fez a coisa certa? Ou, você não acha que ele vai sumir do mapa e vai perder a chance de jogar a Copa do Mundo no Brasil em 2014?
Eu pensava: “que responsabilidade ter que responder uma coisa dessas”.  Se esses caras soubessem que também tive que decidir sobre isso aos 22 anos, e que acredito, sem ainda ter certeza, ter me precipitado na escolha, talvez eles desconfiem da minha resposta.

É claro que há inúmeras diferenças entre nós dois, dentre elas, eu não estava sendo convocado para a seleção brasileira e os valores eram infinitamente menores. Na verdade, eu estava numa crescente no Atlético Paranaense, um clube incrivelmente estruturado que vinha de grandes campanhas em 2004 e 2005. Em 2006, eu já era capitão da equipe, dirigida pelo então treinador alemão, Lothar Matthaus, com quem eu tinha certa afinidade por falar inglês. Tinha 8 gols em pouco mais de 50 jogos pelo clube (o que pra um zagueiro é muito acima da média) e sondagens de clubes europeus não paravam de chegar, até porque eu tinha o passaporte comunitário (italiano), que facilitaria muito uma transferência para a Europa.

Certo dia, o ex-presidente do Atlético Mario Celso Petraglia, em uma das viagens do time para um jogo importante, me viu estudando inglês na poltrona do avião. Ao descer, ele perguntou o que eu estava fazendo, e disse que eu já me virava bem no inglês, e que deveria aprender outra língua. Ele se propôs a pagar um curso de italiano para mim, e eu, sem pestanejar, aceitei na hora.

Meu sonho sempre fora jogar na Europa, aprender outra língua, viver outra cultura. Aliado a isso, a possibilidade da independência financeira, para alguém que, aos 14 anos, tinha deixado para trás, a casa, os pais, os amigos, os finais de semana, as férias, e até mesmo a escola.

O meu telefone não parava um minuto, empresários de todas as partes do mundo ligavam, ofereciam mundos e fundos e torturavam minhas decisões, inquietavam meu dia a dia. Eis que então surgiu o Le Mans Union Club, com uma proposta tentadora aos cofres do Atlético. Especulações, ameaças, abrir mão da % a que eu tinha direito para que o clube me liberasse, outras propostas chegando em cima da hora, empresários sedentos por atravessar o negócio, tudo como diz o figurino do futebol.

Já na França, me lembro de ter ligado do Hotel Mercure de Le Mans, para o meu irmão, hoje doutor em Economia, para perguntar se eu assinava ou não o contrato por aqueles valores – já eram três dias de negociação, e uma volta ao Brasil nesse tempo, pela insatisfação na mudança dos valores em cima da hora por parte dos franceses.

Finalmente decidi ficar, contrariando a vontade do meu empresário na época, que preferia uma comissão maior de outro clube europeu.

Do meu lado, eu tinha a certeza de que jogaria um ano naquele clube francês e seguiria meus passos rumo aos grandes da Europa. O destino não quis assim. Depois de três meses jogando, uma lesão séria no joelho direito e três cirurgias resultaram em um ano e seis meses fora dos gramados.

Intermináveis brigas com a medicina esportiva francesa, briga com o clube que não me autorizava tratar no Brasil. Tristeza, arrependimento por ter feito aquela escolha. (Mas e se eu tivesse ficado no Brasil, e me lesionado lá?)

O sonho agora já era outro, eu queria voltar a jogar futebol, mesmo que por uma única vez. A aprendizagem que eu levava disso tudo? Dinheiro não era tudo na vida!

Na dor e na dificuldade, veio um novo sonho, jogar num clube grande do Brasil e conquistar títulos. Na verdade, eram os sonhos de criança aflorando, pois naquele momento eram os únicos que importavam. Eis que o destino dessa vez me ajudou, me trouxe de volta pra cá, para o Corinthians.

Bom, nem eu sei o que quero dizer com tudo isso. Sem falso moralismo, sem hipocrisia, não sou a melhor pessoa para dar conselho ao Jucilei. O máximo que posso dizer é que se eu pudesse voltar atrás, teria esperado mais um pouco, me formado melhor e saído pra um clube de maior expressão. Mas no fim das contas, cada um sabe onde o calo aperta, quais são seus sofrimentos internos e passados, quais são suas aspirações futuras.

A única verdade disso tudo talvez seja escutar o próprio coração, não os empresários nem os amigos, apenas o próprio coração. Foi como me disse o Grafite, minutos antes de eu assinar meu contrato com o Le Mans: “Esses caras vão pegar o avião e voltar pro Brasil e quem vai ter que aguentar o frio, a saudade, e todas as outras dificuldades será você. Então, só fique se valer a pena pra você”!

Sábias palavras…



EsportePrev

Em 17/02/2011 às 08:14h

Com o apoio do então presidente Lula, o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, disse no ano passado que a criação do plano de previdência complementar para atletas profissionais de futebol (EsportePrev) beneficiaria atletas de todo o país, complementando a previdência pública e ajudando aos que "nos dão as alegrias nos campos de futebol". Com esta intenção, sem pensarmos no cunho político, Lula acelerou e facilitou o processo para que antes do fim de seu mandato, fosse criada e aprovada a EsportePrev.

O ministro Gabas explicou que o plano foi negociado com vários integrantes da categoria e dirigentes de futebol, e será realizado por meio de um convênio entre a Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros), que irá administrar o plano de benefícios, e seis sindicatos de atletas profissionais do país, que serão os instituidores (RJ, RS, RN, PB, MS, SP).

A adesão ao plano será feita por meio do vínculo associativo, ou seja, o atleta deve ser filiado a algum dos sindicatos instituidores para poder contribuir e, futuramente, receber os benefícios complementares de aposentadoria. Acredita-se que o potencial de adesão ao EsportePrev é de seis mil jogadores de futebol.

Eu tive acesso ao plano dias antes dele ser apresentado ao público, e logo depois de lê-lo, conversei com alguns atletas sobre o assunto. Sabendo que o projeto só poderia ser aprovado com o apoio dos sindicatos, pois esses terão a função de instituidor, levei a eles nossas questões para que fossem discutidas e negociadas antes que qualquer acordo fosse efetuado. Expliquei a eles que, ao contrário do que dissera o Ministro, o plano não beneficiaria todos os atletas do país porque não condiz com a realidade dos jogadores brasileiros.

Para minha surpresa, disseram que o acordo já estava assinado e entregue, já que o governo demandava urgência para aprovar o projeto antes do fim do mandato de Lula. Sem tempo para mudanças, assistimos na segunda-feira, 6 de dezembro, o anúncio oficial do plano EsportePrev.

Eis aqui, alguns pontos questionáveis:

Para começar, o plano cobra uma taxa de carregamento de 6%, ao passo que qualquer pessoa pode ir ao banco ou a uma previdência privada e conseguir uma taxa de carregamento entre 1% e 5%. Só isso, já inviabilizaria a adesão de qualquer atleta que conseguisse ler as entrelinhas. (E essa deveria ser a função do sindicato, defender/instruir a classe).

Um segundo ponto que deve ser citado é que o valor da VMR (Valor Mínimo de Referencia) é de R$ 120,00. Sabendo que o de uma previdência privada fica em torno dos R$ 50,00, como é possível que os atletas que ganham de 1 a 3 salários mínimos (86% dos atletas profissionais de futebol do Brasil) tenham condições de contribuir com a EsportePrev? (Lembrando que eles ainda terão que contribuir com o INSS e o FGTS).

Com isso, perdemos 86% dos atletas, que não terão condições (ou interesse) de contribuir com os R$120,00. Os outros 14% dos atletas, com salários melhores, acabam tendo mais facilidades em bancos e previdências privadas conseguindo taxas bem melhores de administração e de carregamento. Então, pra quem será esse plano?

Outro ponto questionável são as outras fontes de custeio do plano, já que nas contribuições do empregador (clube), as fontes de custeio são opcionais (facultativas). Por exemplo, o atleta faz o carregamento de R$120,00 e o clube pode optar se faz o mesmo carregamento ao do atleta. Na nossa opinião, as contribuições deveriam ser obrigatórias ao empregador no mínimo na proporção 1/1, como geralmente acontece com fundo de aposentadoria patrocinado por empresas privadas.

Outra coisa, de acordo com a elegibilidade (que na nossa opinião não é funcional para os atletas) o jogador só poderá receber o premio aos 55 anos ou antecipadamente aos 45 se tiver contribuído durante o prazo mínimo de cinco anos. Mas então, o que acontece quando o atleta for transferido ao exterior ou a clubes em que os sindicatos não são membros do plano?

Bom, são apenas algumas questões que quis abordar para que vocês pudessem entender o motivo do nosso interesse no projeto.

É importante citar que após expor estas constatações ao presidente do Sindicato de Atletas Profissionais de São Paulo, ele se prontificou em tomar providências para que houvesse alterações ou até mesmo o cancelamento do acordo.

Agora é esperar pra ver!

P.A.



Fenômeno no campo. Fenômeno na vida.

Em 14/02/2011 às 08:16h

\"\"Hoje, 14 de fevereiro de 2011, é dia de todos tentarmos colocar em palavras o que uma pessoa com seu talento nos fez sentir. Quantas vezes piscamos os olhos pra saber se o que estávamos vendo era realmente verdade? Quantas vezes nos pegamos rindo com seus dribles desconcertantes, perguntando como é que ele tinha passado por ali?

Eu mesmo, pelo campeonato brasileiro de 2009, jogando contra o Santo André no Pacaembu, vi lá de trás, ele pedalar com a perna direita, ajeitar para a esquerda e soltar um “tubo” no ângulo direito do goleiro. Eu não comemorei, eu sorri. Olhei pro meu lado direito, procurando alguém que tivesse visto o mesmo, e lá estava o Chicão, tão espantado quanto eu. Isso é Ronaldo, isso é fenomenal! E olha que esse gol não deve estar nem entre os 50 mais bonitos da sua carreira.

No dia de hoje, até os deuses do futebol devem estar chorando, pois uma de suas obras primas decidiu parar de jogar. Eles derramaram sobre ele uma quantia extra de talento, permitindo que ele desafiasse as leis da física, da natureza e da medicina, tornando-se o maior artilheiro da história das copas do mundo.

Certa vez li algo, dizendo que grandes pessoas que tiveram grandes feitos na vida como Muhamed Ali, Michael Jordan, Martin L. King, Nelson Mandela e Ayrton Senna têm uma energia, uma aura, um algo a mais, e com Ronaldo não é diferente. Em vários eventos e situações que estive presente, por mais que houvesse atores globais, atrizes internacionais, políticos, etc… lá estavam os holofotes e as atenções voltadas a ele. Todos queriam estar por perto, pedir um autografo pro filho ou pra si mesmos.

Ele assombrou o planeta com seus dribles e suas arrancadas. Aliás, o mundo jamais viu algo se mover tão rápido com uma bola nos pés. Estamos falando de alguém que é ídolo declarado de todos os grandes jogadores da atualidade, de Ibrahimovic a Cristiano Ronaldo, passando por Kaká, Robinho e Messi.

Ele inspirou toda uma geração de jovens ao redor do mundo, seja pelo seu estilo de cabelo, pelo seu talento ou por sua superação. Cada vez que o destino tentava dramaticamente pará-lo – o que para o resto dos mortais (em especial os zagueiros) era uma tarefa quase impossível – ele ressurgia mais forte, mais motivado, driblando o próprio destino, chapelando as cicatrizes, entortando as dores e mostrando ao mundo o que é ser brasileiro.

Fora de campo, ele acertou muitas vezes, errou em outras, e isso serviu para mostrar a todos que o Fenômeno não era perfeito, mas sim humano. Humano assim como eu, como você, como todo mundo. E por ser humano, nem mesmo o Fenômeno conseguiu ultrapassar os efeitos do tempo. Na verdade, esse foi o único adversário que verdadeiramente conseguiu pará-lo.

Sem porquês ou pra ques, vamos simplesmente agradecer a oportunidade de tê-lo visto jogar e por ele ter usado todo seu talento para alegrar pessoas ao redor do mundo.

Quanto a mim, só consigo ter uma certeza:

Daqui a 30 anos, poderei dizer que joguei com o Fenômeno, assim como alguns sortudos dizem hoje, que um dia jogaram com o Pelé. Sem comparações, cada um foi o melhor de seu tempo.

Nucão, te desejo saúde e muita tranquilidade.

Quem sabe agora você tenha tempo pra aprender a jogar tênis! kkkkk  #prasemprefenomeno

Abs,
P.A.



Alguém já ouviu falar?

Em 08/02/2011 às 09:04h

Há algumas semanas me reuni com o presidente do sindicato dos atletas profissionais de São Paulo e entreguei a ele, em mãos, uma carta com a assinatura de todos os atletas de alguns clubes do estado de São Paulo. (Aguardamos atletas de outros clubes agilizarem as assinaturas da carta para que tenhamos maior adesão e maior comprometimento por parte de todos os envolvidos). Para quem chegou ao blog recentemente, vejam mais detalhes em “Sindicato dos Atletas I” e “Sindicato dos Atletas II”.

O documento demonstra nosso interesse em fortalecer a instituição, desde que os atletas possam participar das decisões e das posições a serem tomadas pelo Sindicato. Além disso, exigimos uma prestação de contas mais transparente e maior qualidade nos serviços realizados.

Sentamos para discutir sobre temas importantes, levantados pelos atletas com quem conversei, e que serão tratados nos próximos encontros. Dentre os questões citadas, estão a falta de pagamento dos clubes aos atletas (em especial do interior, que fazem contratos de três meses e deixam de pagar caso o time vá mal na competição), a condição precária da maioria dos vestiários e gramados pelo estado de São Paulo, o tempo de preparação mínima adequada para a pré-temporada, a questão da FAAP (que explicarei em seguida e vocês precisam ler!) e a questão do plano de previdência para atletas lançado pelo governo federal no fim do ano passado, chamado ESPORTEPREV (explicarei no próximo post).

A FAAP, criada em 1975 com o nome Fundo de Assistência ao Atleta Profissional, tinha como objetivos a criação de um sistema de assistência social e educacional para os atletas profissionais, visando sua capacitação alternativa e reinserção no mercado de trabalho pós-futebol. O governo federal instituiu em 1976 que a FAAP desenvolveria e gerenciaria esse sistema, e seus objetivos sociais seriam prestados por instituições sem fins lucrativos denominadas AGAP – Associação de Garantia ao Atleta Profissional, implantada a partir de 1977 nos seguintes estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e no Distrito Federal (nota-se que ela não existe no estado de São Paulo).

Em 1995, por sugestão do então Ministro dos Esportes, Pelé, o fundo passou a se chamar Federação das Associações de Atletas Profissionais, sendo que a finalidade permaneceu a mesma, ou seja, prestar assistência às AGAP’s e seus associados. Com a Lei Pelé – Lei 9.615/98 – ficou estipulado que constituiriam receitas da FAAP:

•     um por cento do contrato do atleta profissional pertencente ao Sistema Brasileiro do Desporto, devido e recolhido pela entidade contratante; (Ou seja, 1% do valor do contrato de TODOS os atletas profissionais deve ser repassado a FAAP, sendo que a obrigação do recolhimento é do clube).

•     um por cento do valor da cláusula penal, nos casos de transferências internacionais, a ser pago pelo atleta; (Para exemplificar, imaginemos um jogador que recebe salário mensal de R$ 2.000,00 (dois mil reais). Portanto, o valor da cláusula penal é de R$ 2.660.000,00 (dois milhões, seiscentos e sessenta mil reais), ou seja, 100 vezes a remuneração anual do atleta. Esse mesmo jogador faz um excelente campeonato e recebe uma proposta do exterior, para ganhar o dobro do salário, ou seja R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Entretanto, em razão dessa disposição o atleta fica obrigado a pagar à FAAP 1% da cláusula penal, ou seja, R$ 26.600,00 (vinte e seis mil e seiscentos reais). Conclui-se que, nesta situação, o atleta terá que trabalhar mais de seis meses para pagar o valor a FAAP, o que é um absurdo).

•   um por cento da arrecadação proveniente das competições organizadas pelas entidades nacionais de administração do desporto profissional; (1% de TODA bilheteria dos jogos promovidos pela CBF, o que também representa elevadas cifras).

   penalidades disciplinares pecuniárias aplicadas aos atletas profissionais pelas entidades de prática desportiva, pelas de administração do desporto ou pelos órgãos da Justiça Desportiva. (Todas as penalidades que os atletas receberem – as famosas multas de percentuais de salário e “caixinhas” – serão convertidas em favor da FAAP). 

Percebemos que as fontes de renda são enormes e os números são astronômicos – estima-se que em 2009, só no estado de São Paulo, tenham sido arrecadados mais de 15 milhões de reais). Entretanto, os benefícios NÃO são visíveis e sua existência é até mesmo duvidosa.

Como já disse acima, não existe AGAP no estado de São Paulo, ou seja, há uma limitação dos possíveis benefícios promovidos pela FAAP, já que não há repasse da verba recolhida dentro do estado para benefícios dos atletas e ex-atletas do próprio estado. Interessante isso, não?

Acho que vocês, assim como eu, querem ver o esporte brasileiro crescer, dando estrutura e melhores condições de trabalho a todos os atletas. Mas principalmente, ajudando aqueles que já pararam de jogar (nossos ídolos que levaram o futebol brasileiro ao topo do mundo) para que não se repitam tantas histórias tristes de craques do passado que se arruinaram depois da aposentadoria. Eles necessitam de instrução e de apoio e, sem dúvida, com metade do dinheiro arrecadado pela FAAP, daria pra qualquer um fazer um grande trabalho! Antes que alguém levante a bandeira de que jogador de futebol ganha fortunas, lembrem-se da estatística de que mais de 92% dos jogadores ganham menos de cinco salários mínimos.

Alguém já tinha ouvido falar dessa tal de FAAP?

OBS1 : Meus agradecimentos à ajuda e aos esclarecimentos do Dr. João Henrique Chiminazzo, cujo blog eu indico.

OBS2: Informações retiradas do site da FAAP: http://www.faapatletas.com.br/

Abs, Paulo André



Verdadeiro Amor II

Em 06/02/2011 às 09:05h

Não era a minha intenção escrever hoje, mas como a repercussão foi muito grande, com muita gente elogiando, criticando, dando ideias, mostrando seus pontos de vista e falando sobre algumas questões que eu não citei no texto (por motivos de força maior), quero esclarecer alguns pontos, sem me alongar porque hoje tivemos a morte de um amigo e temos um clássico importantíssimo pela frente. Eu sei que uma vitória não vai compensar a perda de quarta- feira, mas vai ajudar muito essa retomada rumo ao caminho certo.

Com relação ao texto, sei que é impossível agradar ou concordar com todo mundo, podemos não gostar desse ou daquele, discordar disso ou daquilo, mas aprendi com o tempo a respeitar a opinião dos outros e tentar crescer com ela. Esse é um tipo de interação que nós jogadores não temos com o público, e acho importante para entendermos melhor esses dois mundos. Ninguém é mocinho, ninguém é vilão.

Gostei de muitos comentários, mesmo dos que não concordaram comigo ou concordaram só em partes, e até dos que dissecaram o texto em varias partes, tentando pegar qualquer brecha que eu pudesse ter dado para usá-las contra mim. Como demonstração de respeito e humildade, vou reiterar algumas coisas que escrevi pois também aprendi com os comentários.

Eu disse que clube de futebol não vive só de títulos, e vocês disseram que a torcida não exige títulos, ela exige raça, vontade e luta até o final. Eu presenciei isso naquela derrota para o Flamengo ano passado e foi uma das coisas mais marcantes da minha carreira. Sair aplaudido do Pacaembu (mesmo que eu não tenha jogado, pros que com certeza vão mencionar), não dá pra descrever. Quero deixar claro que vocês têm razão.

Outro ponto que gostaria de corrigir, é o de que torcer pelo Corinthians quando tudo está bem, é fácil. Quero acrescentar que não, não é fácil gastar todo o salário nos ingressos, viajar horas atrás do time pra poder acompanhar sua paixão, aguentar chuva e sol nas arquibancadas, etc…. Mais uma vez vocês também têm razão.

Mas se lerem outros posts mais antigos, verão que sou da teoria de que o espectador é o patrão, pois é ele que paga o ingresso e consome os produtos do clube e dos anunciantes. Consequentemente, é ele quem paga o nosso salário e que faz o futebol profissional existir. E apesar disso, ele é o mais prejudicado dentro do sistema do futebol. Seja pela má qualidade do espetáculo, pelo horário do jogo, pelo preço dos ingressos e pela falta de conforto no estádio ou ao redor dele.

Não vou me aprofundar mais nesse ponto de defender o torcedor. Só quero que fique claro que, se eu quisesse fazer média, não estaria dando a cara para bater e expondo a minha opinião aqui.

O que não admito é fazer competição de sofrimento, dizer que não sei o que é economizar 5 reais pro ingresso ou que pelo meu salário hoje não passo isso ou aquilo. Cada um tem uma história, cada um sabe o que passou na vida pra conquistar o que tem e como eu disse no início do texto, podemos discordar em tudo, mas devemos nos respeitar sempre.

O texto de ontem foi parar até no blog do Juca Kfouri. Li alguns comentários de lá e até disseram que esse texto não partiu de um jogador de futebol. Apesar de me sentir elogiado pela dúvida, já sabia que isso poderia acontecer. É um preconceito pelo qual decidi lutar quando comecei a escrever no blog.

E quanto à questão da violência, que bom que 99% das pessoas concordaram que não é a saída para todos os problemas que estamos enfrentando dentro de campo.

Vamos em frente.
Abraços,
Paulo André



Verdadeiro Amor

Em 05/02/2011 às 09:07h
Antes de começar meu relato, quero deixar claro que entendo o que é ser corintiano e respeito o que isso proporciona aos nossos corações! Jogar no Corinthians é diferente de tudo. É respeitar uma cultura, é como ser chamado para a guerra para defender uma nação.
 
 
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Ontem, ficamos quase uma hora para sair do nosso local de trabalho, porque torcedores protestavam e ameaçavam qualquer um que esboçasse aparecer no estacionamento do clube. Hoje, saímos escoltados por uma barricada de policiais que tentavam impedir que os protestantes jogassem pedra no ônibus. Bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas contra esses que tentam destruir o patrimônio do clube que dizem amar. É paradoxal! Não quero minimizar esse sentimento, mas essa demonstração de amor é que é difícil de entender.(...)



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