Você que me acompanhou o ano inteiro pelo blog sabe que estamos vivendo um momento especial. Sabe também que nos últimos 12 meses passei por altos e baixos. Tive que ser persistente, paciente, corajoso, humilde e ousado. Tomei difíceis decisões e tive personalidade para assumir algumas posições com firmeza, dentro e fora de campo. No fundo, a intenção sempre foi mostrar um lado mais humano do jogador de futebol.
Devo confessar que, nesse momento, minhas atenções estão exclusivamente voltadas para o jogo do próximo final de semana contra o Palmeiras, que decidirá o título de Campeão Brasileiro. Desde o final da partida de ontem, só um pensamento:
“Tudo ficou para o último jogo do campeonato e, no fim, só ele que vale”.
Com isso, outra constatação:
Pressão, tensão e frio na barriga são ingredientes inerentes a este momento. E vão durar até que o juiz apite o final do jogo no domingo. Não tem como fugir. É hora de enfrentar. Concentração, disposição e paixão são elementos fundamentais que devem ser prioridade para que os anteriores sejam, de certa maneira, inibidos.
Estamos no meio do turbilhão mas, acima de tudo, sabemos exatamente quem somos e aonde queremos chegar. Resumindo, a ordem é fazer exatamente o que nos trouxe até esse momento. Não precisamos mudar, simplesmente repetir o que fazemos há 37 rodadas.
Então, como escrevi por aqui o ano inteiro, venho (mais uma vez) dividir com vocês este momento.
Vai Corinthians!
Um abraço,
P.A
Tive um treinador na época em que joguei no Guarani que é considerado uma lenda viva no interior de São Paulo. Seu nome é Luis Carlos Ferreira, mais conhecido como Ferreirão ou Rei do Acesso (por suas inúmeras campanhas bem sucedidas nas divisões de acesso do estado de SP).
Quem teve a chance de trabalhar com ele sabe das inúmeras histórias engraçadíssimas que ele já protagonizou dentro dos clubes em que passou. Eu me lembro de pelo menos duas histórias que vivenciei com ele e me fizeram morrer de rir.
Numa delas, estávamos treinando uma jogada de saída de jogo, onde ele havia combinado (em segredo) com a equipe titular de fazer uma pressão intensa no time reserva para roubar a bola e surpreender logo no primeiro lance. Mas o que ele não contava era que no time reserva estava o Humberto (ex-Paulista, ex- Marília), um jogador que o Ferreirão considerava seu homem de confiança e por isso levava para todos os times que ele trabalhava.
O time reserva saiu com a bola rolando-a para trás, exatamente nos pés do Humberto, que por já ter feito esse treino com o Ferreirão milhares de vezes, sabia exatamente o que estava combinado para acontecer. Por isso, ao ver seis ou sete jogadores correndo para fazer a pressão, Humberto passou a bola para um terceiro jogador do outro lado do campo, onde ninguém estava esperando. O cara que recebeu a bola, disparou sozinho em direção ao gol do time titular.
O Ferreirão começou a bater na própria cabeça, deixando o apito que estava em sua boca cair no chão. Gritou pedindo que parassem o lance. Olhou pro Humberto e, aos berros, disse: \"Ahhh Humberto, você é um bundão. Quando te coloco no time de cima, não faz nada disso, fica com medo de jogar. Faz o seguinte, fica ali no banco e me ajuda a gritar com o time vai\". Gargalhada geral e piada pronta com o Humberto pro resto do ano.
Numa outra oportunidade, ele pediu que eu fosse à sala dele depois de um treino coletivo para conversar sobre a equipe. Eu tinha 21 anos na época e era o zagueiro titular de sua equipe. Ao chegar, ele disse que eu era importante para o grupo, que tinha uma boa leitura do jogo e queria a minha ajuda com o esquema tático. Montou o time na sua prancheta, armou a equipe adversária e fez algumas movimentações com as pecinhas. Em seguida, me perguntou o que eu achava daquilo. Eu, sem maldade nenhuma, discordei dele em um ponto e comecei a dizer que a equipe poderia jogar um pouco mais pra frente se fizesse... Fui interrompido pelo Ferreirão que, irritado por eu ter discordado, disse: “Ahhhh garoto, sai daqui, você não entende nada de futebol”
Grande Ferreirão! rs
Abs
P.A