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Posts de Janeiro / 2011

 

Uma vida fora dos campos

Em 30/01/2011 às 09:08h
Gostaria de agradecer a participação de todos. Sei o quanto é difícil sobreviver e persistir dentro do esporte, em especial quando não se trata de futebol. A essência do esporte é essa: paixão, dedicação e superação em direção a um ideal.
Gostaria também de agradecer ao Marco Battistutti pelo primeiro comentário negativo (no post anterior) desde que lancei o Blog em Dezembro.
Tenho certeza de que ele não leu a maioria dos posts, nos quais mencionei que o Blog não interfere nos treinos e na minha performance dentro de campo, assim como qualquer outra atividade que eu exerça fora do meu período de trabalho. Tenho tratado em três períodos por dia, correndo contra o tempo para voltar a jogar e ajudar a equipe da melhor forma possível.
Aliás, assim como qualquer ser humano comum, todos nós temos tempo para estudar, cuidar dos filhos, sair pra jantar, ir ao cinema, jogar uma pelada com os amigos, passar no banco pra pagar uma conta e ainda trabalhar com afinco, cumprindo com os horários e buscando melhorias a cada dia. Eu realmente gosto de poker mas não jogo nem uma vez por semana. Adoro tênis, mas jogo no máximo cinco vezes ao ano. Investir na bolsa é algo que todos deveriam fazer… rsrs… Mas não tenho capacidade pra fazer isso sozinho, alguém faz pra mim.
Eu sei que é a cultura do brasileiro fazer esse tipo de cobrança aos atletas, devido à grande paixão pelo clube do coração. Como vivemos em uma democracia e não em uma ditadura, aceito de coração a cobrança mas não vou deixar de escrever, ok? 
Paulo André


Esporte Paraolímpico

Em 28/01/2011 às 09:09h

Alguns de vocês têm assistido o Campeonato Mundial Paraolímpico de Atletismo, em Christchurch/Nova Zelândia? Tem sido transmitido pela SporTV e, eu recomendo, é fascinante.

Me lembro a primeira vez que tive contato com o esporte paraolímpico, em 2003, nos Jogos Abertos do Interior. Na época, eu jogava pelo juniores do Guarani F.C e havíamos sido convidados a representar a cidade de Campinas naquela competição.

Nós passamos de fase no futebol e chegamos à final com certa facilidade. Ganhamos a noite de folga, e resolvemos acompanhar os cadeirantes ao jogo de basquete daquela noite (tínhamos um amigo no time, um rapaz que ficava diariamente no primeiro semáforo à direita do Guarani FC, sentado em sua cadeira fazendo graça com a bola e pedindo uma ajudinha pra sobreviver).

Já no ginásio, decidimos sentar bem próximos ao banco de reservas e aguardamos a bola ao alto para iniciar o jogo. Não tínhamos ideia do que estava por vir pois estávamos apreensivos com a limitação dos cadeirantes. Me lembro que o ginásio da cidade de Araras estava lotado, uma loucura.

Aos poucos, fomos contagiados por aquele ambiente. O jogo, eletrizante, um show de disposição, de superação. Não havia limites para aqueles atletas. Eles duelavam, batiam as cadeiras, caiam no chão e se levantavam (subiam de volta às cadeiras meio que rastejando, meio que pulando com as mãos) como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Não havia dificuldade, não havia medo, eles só queriam dar o melhor de si e vencer a partida.

Me emocionei ao ver aquelas cenas, aqueles caras se divertindo e dando a vida por cada lance. Era como se fosse o último lance, o último suspiro de cada um. Eles gritavam, eles se ajudavam, e estavam dispostos a morrer fazendo aquilo… Na verdade, estavam dispostos a morrer pelo TERCEIRO lugar daquela competição.

Pensei comigo mesmo: "Que lição de vida, que exemplo para todas essas pessoas que encheram esse ginásio para assisti-los. O dia que eu quiser reclamar da vida, vou me lembrar disso aqui, essa é uma noite para nunca mais esquecer".

Sugiro a vocês acompanharem algumas provas pelo SporTV ou até presenciar uma competição paraolímpica, é uma lição de vida garantida, pode crer!

E aproveito para mandar um recado especial para minha amiga Daniela Raddi - um exemplo de superação para mim e todos que conhecem sua história! Ela é a única atleta no mundo a ter uma deficiência física e jogar com uma equipe regular de pólo aquático, e como se não bastasse, treina natação com a equipe paraolímpica. E faço uma aposta com vocês: Ela trará uma medalha nas Paraolimpíadas de 2012. Raddiela, sou seu fã!

Abraço a todos,
P.A



Fisioterapia "Fabriqué au Brésil"

Em 24/01/2011 às 09:11h

Como vocês viram na foto de um post semana passada, a vida dos atletas brasileiros na Europa tem muitas curiosidades.

O antes...
Éramos três brasileiros em Le Mans: Eu, Túlio de Melo e Grafite. Vocês sabem que algumas dores, entorses e tendinites, são coisas cotidianas dos atletas de alto rendimento.

Mas em Le Mans isso se tornou uma dor de cabeça pra gente. Não existia manutenção, prevenção, nada! Essas lesões eram tratadas com homeopatia, massagem e muita reza (Risos)!

... e o depois
Depois de inúmeras reclamações e problemas com o departamento médico do clube e com os diretores (pela falta de estrutura aos atletas), decidimos resolver o problema com um jeitinho brasileiro! Convidamos o fisioterapeuta Elliot Paes para vir à França e morar em Le Mans.
A ideia era que ele  fizesse nosso tratamento diário, antes e depois dos treinos, para que não tivéssemos que parar de treinar ou que nos recuperássemos mais rápido das lesões!


Como os diretores não autorizaram  que ele trabalhasse dentro do clube, resolvemos pagar seu salário e transformamos a garagem da casa do Grafite em uma clínica de fisioterapia. Compramos aparelhos de musculação, aparelhos de fisioterapia e decoramos o ambiente! Um mês depois, ganhamos mais alguns clientes que tinham as mesmas necessidades que nós. Adriano Lobinho (zagueiro, ex-Atlético MG) vinha de Nantes (200km) duas vezes por semana para tratar.

 

O sérvio Marko Basa e o francês Matthieu Coutadeur também usaram nossa estrutura para se reabilitarem de lesões.

Elliot ficou três meses conosco, e foi contratado pelo Schalke 04, por intermédio do Linconl (atualmente no Palmeiras) e Bordon (ex-São Paulo) para cuidar dos brasileiros do clube.

Ele cuidava de vários jogadores de outros clubes alemães que pegavam a estrada pra vê-lo.




Lobinho, Elliot e eu


Hoje escuto a mesma história de muitos atletas brasileiros no exterior, em diversos países. Chego à conclusão de que o Brasil é um exportador de fisioterapeutas rs  Só não entendo ainda a resistência dos europeus em aceitar que a nossa medicina esportiva é muito mais avançada que a deles! Até hoje, é muito difícil fazê-los admitir a necessidade de profissionais brasileiros dentro de seus clubes!




Será uma questão cultural? Será uma questão científica? Convido os fisios e os sociólogos a participarem da discussão.

Eu e o Grafite

Voltando à história, como não podíamos ficar sem fisioterapeuta em Le Mans, já que o nosso tinha sido "comprado" por um clube maior, resolvemos apostar numa jovem promessa, Ricardo Vidal (vulgo Pastinha).

Ele também, nos ajudou muito no período que esteve por lá! Depois dele, outros dois vieram: Frank e Rodrigo Iralah.




Quem sabe um dia escrevamos um livro sobre tudo o que passamos naquele lugar... Vocês não vão acreditar rsrs

Abraços a todos,
Paulo



Copa São Paulo

Em 16/01/2011 às 09:13h

Os leitores mais velhos hão de concordar comigo: Como era legal assistir a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Era muito bom tentar ter um olho clínico e adivinhar quem seria ou não profissional, quem teria espaço no time de cima e por quê?!


Polozzi: Revelado pela Ponte Preta na
Copinha de 1975, aos 20 anos de idade

Todos esperavam ansiosos o mês de Janeiro para acompanhar a Copinha. Jogos competitivos, jogadores capacitados e qualificados que muitas vezes saiam dali direto para a titularidade do time profissional. Os times que chegavam às fases finais, sempre revelavam quatro ou cinco jogadores para o futebol.

Hoje, mudaram tudo, desde o número de participantes até a idade máxima permitida, fazendo o torneio perder todo seu charme e importância de outrora. Eu até entendo o fato de termos 92 equipes disputando o torneio. Nosso país é enorme e temos que dar espaço e oportunidades para atletas de times não tão tradicionais, mesmo que isso diminua a qualidade do torneio na primeira fase.

 

 

 

 

De qualquer maneira, isso é uma forma de inclusão social importante para a juventude, além de ser a realização do sonho de muitos atletas.

Casagrande: Revelado pelo Corinthians
na Copinha de 1980, aos 20 anos de idade

Agora, o que não consigo entender é porque, em 2007, mudaram o regulamento do torneio, diminuindo a idade máxima dos 20 para os 18 anos. Alguém sabe me dizer quem foi que fez isso e qual foi a explicação dada na época? E mais, como os clubes permitiram que isso fosse feito?

O motivo da minha indignação é simples, e chega a ser engraçado para não dizer outra coisa: A Federação Paulista de Futebol tem competições anuais para as categorias de base dos clubes e são divididas em Campeonato Paulista Sub-15, Sub-17 e Sub -20.

Por que a Copa São Paulo é Sub-18? Alguém saberia me explicar?

 

 

 

Vamos analisar friamente o que acontece: Clubes jogam com uma equipe Sub-20 o ano todo e em dezembro tiram os atletas de 19 e 20 anos para disputar a competição mais importante da categoria.

Raí: Revelado pelo Botafogo-SP na
Copinha de 1985, aos 19 anos de idade

Os atletas que disputaram o Sub-20, fazem o quê? Será que estão perdendo tempo e se iludindo? Se não subiram ainda, não devem ter condições de se tornarem profissionais, certo? Errado…

Mas então, por que privá-los de disputar o torneio de maior visibilidade e exposição das categorias de base? Será que essa não é a melhor maneira de dar-lhes experiência e maturidade suficientes para se tornarem melhores e mais preparados para os profissionais?

O rapaz que mudou o regulamento deve ter achado que abaixando a idade máxima, formaríamos novos Pelés ou Ronaldos, só pode ser isso!

 

 

 

Será que ele não sabe que esses caras conseguiram jogar com os profissionais aos 17 anos porque são gênios, raras exceções que surgem de não sei quanto em quanto tempo?

 

Rogério Ceni: Revelado pelo São Paulo
na Copinha de 1993, aos 20 anos de idade

 

As pessoas que trabalham nas entidades e instituições que regem o esporte deveriam no mínimo amar o esporte pelo qual trabalham e entender dele. Deveriam pensar no seu crescimento e desenvolvimento a longo prazo, fazendo com que ele traga cada vez mais lições de cidadania, educação, ética e superação para a sociedade. Depois disso, poderiam pensar no dinheiro e nos votos que aquilo poderá lhes proporcionar.

 

Aliás, onde estão os educadores físicos e pedagogos (numa entidade desportiva deveria haver mais deles no poder, não?) para dizer que nessa idade ainda não há a maturação física ideal do atleta. Eles podem dizer também que se os jovens forem inseridos nos treinamentos dos profissionais muito cedo, estarão mais suscetíveis a lesões e a uma pior formação técnico/tática (algo repetidamente citado por treinadores profissionais e comentaristas de tv nos últimos anos).

Edu Gaspar: Revelado pelo Corinthians
na Copinha de 1998, aos 20 anos de idade

Quem mudou as regras não estava pensando na formação dos atletas a longo prazo? Será que ele não percebe que essa precocidade é prejudicial aos jovens e ao futebol brasileiro?

Não só física, mas mentalmente, ela atrapalha a formação do ser humano que será “julgado” aos 18 anos para saber se tem ou não condições de ser um jogador profissional.

Pensemos nos jovens que prestam vestibular aos 17 ou 18 anos, tendo que escolher uma carreira pro resto de suas vidas. Eles estão cheios de dúvidas, inseguranças e ainda têm que prestar uma prova que lhes dará ou não a possibilidade de entrar na faculdade.






Apesar da pressão e da responsabilidade, que sem dúvida nenhuma atrapalham muito no momento da prova, esses jovens podem fracassar por um, dois ou três anos até atingirem seus objetivos. Apesar de não enxergarem naquele momento, o fato de não passar de primeira pode até vir a ser benéfico, preparando-os melhor ou fazendo-os amadurecer com relação ao que querem ter como profissão na vida!

 

Assim também os jovens atletas deveriam ter tempo para a maturação física, técnica e tática ideal, sem que isso comprometa totalmente seu futuro ou a sua carreira. Uns estouram aos 18, outros aos 20 e há ainda os que despontam aos 23 ou 24 anos.


Se hoje, estamos acelerando tudo, aumentando as cargas de treinamentos e de responsabilidades, antecipando o tempo correto de formação e de instrução, não reclamemos quando um desses meninos conquistarem fama, sucesso e dinheiro e sair por aí fazendo besteiras de todos os tipos. Não quero defender atitudes irresponsáveis dos atletas, mas vamos deixar bem claro que a culpa não é só deles, ela é do educador mal preparado, do gestor do clube e da entidade que rege o esporte, certo?



Faixa salarial dos atletas

Em 11/01/2011 às 09:16h

O Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo me enviou a tabela abaixo com a faixa salarial dos atletas. Segundo fui informado, esses são os últimos números repassados da CBF ao sindicato. Mesmo que sejam antigos resolvi postar aqui, mas vamos continuar tentando dados mais atuais. Quem souber por favor deixe um recado abaixo!



Fonte: CBF


Sobre a reportagem no UOL

Em 10/01/2011 às 09:23h
Hoje saiu uma importante reportagem no UOL falando sobre tudo que estamos discutindo no blog. Vocês podem acessar pelo link http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/01/10/corinthians-procura-ceni-dracena-e-kleber-por-uniao-contra-calendario.jhtm.
Nesse post quero deixar claro que estamos pensando em todos, em especial em atletas em formação e atletas que jogam em times do interior.
Não é uma reivindicação por mais dinheiro ou mais férias. São inúmeras questões que devem ser discutidas, visando melhores condições de trabalho, melhor formação do atleta – dando ferramentas para que ele possa ter uma formação educacional melhor – e visando condições para se produzir um melhor espetáculo ao público. Gramado, iluminação, vestiários, bola do jogo!
Além disso, há muito a ser feito para diminuir os riscos a saúde do atleta na carreira e no pós-carreira. Cada ano são mais lesões, mais cirurgias. Assim como o Ronaldo levantou a questão no Footecon 2010, enquanto as pessoas acham que ganhamos fortuna, 95% dos atletas profissionais do futebol não recebem mais que três salários mínimos. É uma questão cultural que precisa ser mudada!
Não é porque nós do Corinthians estamos dentro de 5% que não falaremos nada. Pelo contrário, nós temos voz ativa para falar. E essa é a minha profissão. Da mesma forma que outras classes um dia reivindicaram melhores condições de trabalho e conseguiram determinar pisos e horários, é isso que estamos pleiteando.
O que percebi por alguns comentários é que às vezes torcedores de outros times criticam porque a iniciativa partiu dos atletas do Corinthians. A eles digo que não é uma disputa de times, é um movimento de uma classe banalizada e fruto de muitos preconceitos, da qual fazem parte todos os atletas dos 125 clubes do estado de São Paulo. Espero que todos se interessem e façam parte disso.
Mas há também aqueles que entendem, como este comentário que recebi hoje no blog:
“Paulo, hj saiu uma matéria na UOL falando da luta encabeçada por você pelos direitos dos jogadores. E qual minha surpresa ao ler os comentários e todos serem críticos às reivindicações de vcs! O que se passa com a cabeça desse povo? É ridículo o que falam! Acham que por que são bem remunerados podem trabalhar feito escravos? Além disso, não percebem que até nós, como expectadores e consumidores, perdemos ao ter times cheio de jogadores desgastados e mal preparados fisicamente?
Infelizmente o Brasil ainda está muito atrasado no que diz respeito às lutas de classes profissionais e ainda há um ranço da época da ditadura de achar que greve e sindicato é coisa de vagabundo! Acredito que mais do que brigar com clubes e federações a luta de vcs será tbm contra uma parcela de torcedores ignorantes e que acham que jogadores são máquinas!
Sugiro que olhe os comentários lá e prepare-se, pois a sua luta será árdua. Mas esteja certo de uma coisa: assim como tem uma parcela que irá criticar (e muito)saiba que pode contar com pessoas como eu que acredito e apóio a luta de vcs!
Abraços, Vinícius Carvalho”
Eu li as críticas dos leitores no link do UOL, mas receber o apoio de pessoas como o Vinícius me faz seguir em frente. Obrigado.
Abraço, Paulo André


Mercado da Bola

Em 05/01/2011 às 09:24h


Uns foram vendidos, outros comprados. Uns se aposentaram, outros terão a primeira chance no profissional. Jogadores emprestados e outros voltando de empréstimo. E a cada ano essa história se repete.

Milhões de brasileiros gostariam de fazer parte desse vai e vem do mercado da bola, muitos até se arriscaram nas equipes juvenis de suas cidades ou de seus bairros, em busca de passar a vida fazendo o que mais gostam – jogar bola e ainda ser remunerado pra fazer isso.

É o sonho de toda criança, é o sonho de todo brasileiro.

Mas de fácil e legal, só o sonho mesmo… Passando por ele em direção à realização há muito sacrifício, suor e dificuldades. Algumas alegrias, muitas tristezas, muitos nãos e poucos sims. Tirando alguns fenômenos e gênios, os meros mortais (como eu) terão que enfrentar e superar obstáculos, um a um, até que chegue a hora de mostrar que você também é capaz.

O que quero dizer é que esses são elementos básicos que estarão inclusos no pacote, de qualquer um que tentar ser atleta. E olha que muitos dos mortais que chegaram até aqui cruzaram com gênios ao longo do caminho, que ficaram para trás por não conseguirem se adaptar às exigências do futebol moderno. Esse texto não é para desanimar os jovens sonhadores (nem os que gostam do futebol romântico, risos), mas para prepará-los para a dura realidade do dia-dia do futebol (e da vida).

Comigo foi assim, depois de passar quatro anos no São Paulo F.C, alguns meses no CSA de Alagoas, um ano no Águas de Lindóia Esporte Clube e mais um ano no Guarani de Campinas, tínhamos acabado de ser eliminados na primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Juniors (minha última por conta da idade). Com o contrato terminando em alguns dias e com um elenco profissional do Guarani inchado e cheio de zagueiros, vocês hão de convir que o meu futuro era incerto.

Eis que surge Joel Santana, recém chegado ao clube, que decide apostar em mim. Não me lembro se por lesão ou por mal rendimento dos outros, mas ele deu a ajuda que eu precisava. Pediu para renovarem meu contrato e me colocou para jogar. A partir dali, tudo foi diferente! (Não vou esquecer do Barbieri, do Neto e de outros que me ajudaram no Guarani).

Poderia passar dias escrevendo sobre histórias, lembranças e dificuldades mas irei em outra direção… As histórias ficam pra um futuro post.

Voltando ao mercado da bola, vou mostrar as diferentes expectativas dos atletas no início do ano:

Para os que subiram ao profissional agora, ficar alguns dias concentrado em pré-temporada é a maior alegria, é a realização de um sonho. Pros que estão nesse caminho há muito tempo é um tédio, pois abandonar a família logo após o reveillon já não é tão legal. Pros que voltaram de empréstimo, cada treino é uma prova e a estreia vem com o sentimento de que é a ultima chance da vida. Já pros “veteranos”, é “apenas” se preparar para mais um compromisso importante. Pros que foram vendidos, um novo mundo os espera, e os que ficaram sem contrato correm contra o tempo para arrumar novos clubes para jogar.

Na verdade o post não é sobre o mercado da bola em si, mas sim sobre esse olhar de dentro para fora, essa visão dos produtos (atletas) do mercado, que apesar de tudo, também tem sonhos, sentimentos e expectativas. Para muita gente (a família em especial) aquele cara, independente do nível e das conquistas, conseguiu vencer na vida e é motivo de orgulho para eles. O segredo do vencedor é querer ser melhor hoje do que foi ontem. Vencer não é ganhar sempre, é se superar a cada dia!

Abraço,
Paulo André



De volta ao trabalho!

Em 03/01/2011 às 09:25h

Hoje nos reapresentamos pela manhã no CT. Fizemos vários exames médicos e testes físicos.

Agora estamos em direção à Itu, onde passaremos a semana em pré-temporada. Poderíamos chamá-la de mini pré-temporada, mas agora não é hora de criar polêmicas (risos), é hora de trabalhar.

Agradeço a todos que acompanharam e comentaram os posts nesse mês de férias. O foco a partir de hoje volta a ser: treinamentos, jogos, e também, o repouso entre eles. Os preparadores físicos utilizam uma frase muito importante para nós atletas que vou dividir com vocês: O descanso TAMBÉM faz parte do treino!

Contudo, continuarei escrevendo, pois acho necessário levantar e discutir questões importantes, como fizemos nesse mês de férias (algo incomum e difícil de acontecer com atletas).

Por meio do blog consigo expor minhas ideias sem que isso interfira na minha profissão e no meu objetivo prioritário: melhorar a cada dia minha performance para representar e defender as cores do Corinthians dentro e fora de campo.

E a partir dessa semana em Itu, será exatamente assim. Treinar muito, me alimentar bem e descansar no restante do tempo para que o corpo consiga assimilar a alta carga de trabalho.

Um abraço a todos,

Paulo André

OBS: Talvez convide alguns colegas de profissão ou pessoas ligadas às diversas áreas do esporte para postarem no meu blog de vez em quando. Vamos ver se isso vai funcionar! rs



Ainda assim, o melhor

Em 02/01/2011 às 09:26h
Seleção Brasileira campeã da Copa de 1970

No INÍCIO de cada Campeonato Brasileiro, vemos os times cotados ao título disputarem as cinco ou seis primeiras rodadas com suas equipes reservas. Normalmente esses clubes estão disputando os mata-matas da Copa do Brasil ou da Libertadores e precisam focar suas forças numa única competição.

Após o sucesso ou o fracasso, cada uma delas segue sua escalada no Brasileirão. A maioria consegue se recuperar, mas já não briga mais pelo título.

Vamos chegando ao final do campeonato, e o fato se repete, só que dessa vez o motivo é outro. Times sem aspiração na competição, jogam sem interesse e cumprem tabela.

Vocês sabem quem é o maior perdedor dessa história?

O grande perdedor é o público (consumidor) que compra ingresso, pay-per-view, camisa, grita, comemora, chora, ri, xinga, elogia, ama, e vive futebol 24 horas por dia. Por fim, apesar de tudo, constato que, mesmo assim, com “meios” times, ainda temos o melhor campeonato do mundo.

Senhores, encarecidamente peço, cuidem do futebol brasileiro. Ele é o maior bem da nação, ele é a melhor imagem que o país tem no exterior. Apesar da potência econômica que nos tornamos hoje, o BRASIL continua sendo sinônimo de FUTEBOL.

Abraço, Paulo André


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