Alguns de vocês têm assistido o Campeonato Mundial Paraolímpico de Atletismo, em Christchurch/Nova Zelândia? Tem sido transmitido pela SporTV e, eu recomendo, é fascinante.
Me lembro a primeira vez que tive contato com o esporte paraolímpico, em 2003, nos Jogos Abertos do Interior. Na época, eu jogava pelo juniores do Guarani F.C e havíamos sido convidados a representar a cidade de Campinas naquela competição.
Nós passamos de fase no futebol e chegamos à final com certa facilidade. Ganhamos a noite de folga, e resolvemos acompanhar os cadeirantes ao jogo de basquete daquela noite (tínhamos um amigo no time, um rapaz que ficava diariamente no primeiro semáforo à direita do Guarani FC, sentado em sua cadeira fazendo graça com a bola e pedindo uma ajudinha pra sobreviver).
Já no ginásio, decidimos sentar bem próximos ao banco de reservas e aguardamos a bola ao alto para iniciar o jogo. Não tínhamos ideia do que estava por vir pois estávamos apreensivos com a limitação dos cadeirantes. Me lembro que o ginásio da cidade de Araras estava lotado, uma loucura.
Aos poucos, fomos contagiados por aquele ambiente. O jogo, eletrizante, um show de disposição, de superação. Não havia limites para aqueles atletas. Eles duelavam, batiam as cadeiras, caiam no chão e se levantavam (subiam de volta às cadeiras meio que rastejando, meio que pulando com as mãos) como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Não havia dificuldade, não havia medo, eles só queriam dar o melhor de si e vencer a partida.
Me emocionei ao ver aquelas cenas, aqueles caras se divertindo e dando a vida por cada lance. Era como se fosse o último lance, o último suspiro de cada um. Eles gritavam, eles se ajudavam, e estavam dispostos a morrer fazendo aquilo… Na verdade, estavam dispostos a morrer pelo TERCEIRO lugar daquela competição.
Pensei comigo mesmo: "Que lição de vida, que exemplo para todas essas pessoas que encheram esse ginásio para assisti-los. O dia que eu quiser reclamar da vida, vou me lembrar disso aqui, essa é uma noite para nunca mais esquecer".
Sugiro a vocês acompanharem algumas provas pelo SporTV ou até presenciar uma competição paraolímpica, é uma lição de vida garantida, pode crer!
E aproveito para mandar um recado especial para minha amiga Daniela Raddi - um exemplo de superação para mim e todos que conhecem sua história! Ela é a única atleta no mundo a ter uma deficiência física e jogar com uma equipe regular de pólo aquático, e como se não bastasse, treina natação com a equipe paraolímpica. E faço uma aposta com vocês: Ela trará uma medalha nas Paraolimpíadas de 2012. Raddiela, sou seu fã!
Abraço a todos,
P.A
Como vocês viram na foto de um post semana passada, a vida dos atletas brasileiros na Europa tem muitas curiosidades.
| O antes... |
| Lobinho, Elliot e eu |
Hoje escuto a mesma história de muitos atletas brasileiros no exterior, em diversos países. Chego à conclusão de que o Brasil é um exportador de fisioterapeutas rs Só não entendo ainda a resistência dos europeus em aceitar que a nossa medicina esportiva é muito mais avançada que a deles! Até hoje, é muito difícil fazê-los admitir a necessidade de profissionais brasileiros dentro de seus clubes!
| Eu e o Grafite |
Voltando à história, como não podíamos ficar sem fisioterapeuta em Le Mans, já que o nosso tinha sido "comprado" por um clube maior, resolvemos apostar numa jovem promessa, Ricardo Vidal (vulgo Pastinha).
Ele também, nos ajudou muito no período que esteve por lá! Depois dele, outros dois vieram: Frank e Rodrigo Iralah.
Quem sabe um dia escrevamos um livro sobre tudo o que passamos naquele lugar... Vocês não vão acreditar rsrs
Abraços a todos,
Paulo
Os leitores mais velhos hão de concordar comigo: Como era legal assistir a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Era muito bom tentar ter um olho clínico e adivinhar quem seria ou não profissional, quem teria espaço no time de cima e por quê?!
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| Polozzi: Revelado pela Ponte Preta na Copinha de 1975, aos 20 anos de idade |
Todos esperavam ansiosos o mês de Janeiro para acompanhar a Copinha. Jogos competitivos, jogadores capacitados e qualificados que muitas vezes saiam dali direto para a titularidade do time profissional. Os times que chegavam às fases finais, sempre revelavam quatro ou cinco jogadores para o futebol.
Hoje, mudaram tudo, desde o número de participantes até a idade máxima permitida, fazendo o torneio perder todo seu charme e importância de outrora. Eu até entendo o fato de termos 92 equipes disputando o torneio. Nosso país é enorme e temos que dar espaço e oportunidades para atletas de times não tão tradicionais, mesmo que isso diminua a qualidade do torneio na primeira fase.
De qualquer maneira, isso é uma forma de inclusão social importante para a juventude, além de ser a realização do sonho de muitos atletas.
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| Casagrande: Revelado pelo Corinthians na Copinha de 1980, aos 20 anos de idade |
Agora, o que não consigo entender é porque, em 2007, mudaram o regulamento do torneio, diminuindo a idade máxima dos 20 para os 18 anos. Alguém sabe me dizer quem foi que fez isso e qual foi a explicação dada na época? E mais, como os clubes permitiram que isso fosse feito?
O motivo da minha indignação é simples, e chega a ser engraçado para não dizer outra coisa: A Federação Paulista de Futebol tem competições anuais para as categorias de base dos clubes e são divididas em Campeonato Paulista Sub-15, Sub-17 e Sub -20.
Por que a Copa São Paulo é Sub-18? Alguém saberia me explicar?
Vamos analisar friamente o que acontece: Clubes jogam com uma equipe Sub-20 o ano todo e em dezembro tiram os atletas de 19 e 20 anos para disputar a competição mais importante da categoria.
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| Raí: Revelado pelo Botafogo-SP na Copinha de 1985, aos 19 anos de idade |
Os atletas que disputaram o Sub-20, fazem o quê? Será que estão perdendo tempo e se iludindo? Se não subiram ainda, não devem ter condições de se tornarem profissionais, certo? Errado…
Mas então, por que privá-los de disputar o torneio de maior visibilidade e exposição das categorias de base? Será que essa não é a melhor maneira de dar-lhes experiência e maturidade suficientes para se tornarem melhores e mais preparados para os profissionais?
O rapaz que mudou o regulamento deve ter achado que abaixando a idade máxima, formaríamos novos Pelés ou Ronaldos, só pode ser isso!
Será que ele não sabe que esses caras conseguiram jogar com os profissionais aos 17 anos porque são gênios, raras exceções que surgem de não sei quanto em quanto tempo?
| Rogério Ceni: Revelado pelo São Paulo na Copinha de 1993, aos 20 anos de idade |
As pessoas que trabalham nas entidades e instituições que regem o esporte deveriam no mínimo amar o esporte pelo qual trabalham e entender dele. Deveriam pensar no seu crescimento e desenvolvimento a longo prazo, fazendo com que ele traga cada vez mais lições de cidadania, educação, ética e superação para a sociedade. Depois disso, poderiam pensar no dinheiro e nos votos que aquilo poderá lhes proporcionar.
Aliás, onde estão os educadores físicos e pedagogos (numa entidade desportiva deveria haver mais deles no poder, não?) para dizer que nessa idade ainda não há a maturação física ideal do atleta. Eles podem dizer também que se os jovens forem inseridos nos treinamentos dos profissionais muito cedo, estarão mais suscetíveis a lesões e a uma pior formação técnico/tática (algo repetidamente citado por treinadores profissionais e comentaristas de tv nos últimos anos).
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| Edu Gaspar: Revelado pelo Corinthians na Copinha de 1998, aos 20 anos de idade |
Quem mudou as regras não estava pensando na formação dos atletas a longo prazo? Será que ele não percebe que essa precocidade é prejudicial aos jovens e ao futebol brasileiro?
Não só física, mas mentalmente, ela atrapalha a formação do ser humano que será “julgado” aos 18 anos para saber se tem ou não condições de ser um jogador profissional.
Pensemos nos jovens que prestam vestibular aos 17 ou 18 anos, tendo que escolher uma carreira pro resto de suas vidas. Eles estão cheios de dúvidas, inseguranças e ainda têm que prestar uma prova que lhes dará ou não a possibilidade de entrar na faculdade.
Se hoje, estamos acelerando tudo, aumentando as cargas de treinamentos e de responsabilidades, antecipando o tempo correto de formação e de instrução, não reclamemos quando um desses meninos conquistarem fama, sucesso e dinheiro e sair por aí fazendo besteiras de todos os tipos. Não quero defender atitudes irresponsáveis dos atletas, mas vamos deixar bem claro que a culpa não é só deles, ela é do educador mal preparado, do gestor do clube e da entidade que rege o esporte, certo?
O Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo me enviou a tabela abaixo com a faixa salarial dos atletas. Segundo fui informado, esses são os últimos números repassados da CBF ao sindicato. Mesmo que sejam antigos resolvi postar aqui, mas vamos continuar tentando dados mais atuais. Quem souber por favor deixe um recado abaixo!
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Fonte: CBF
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Uns foram vendidos, outros comprados. Uns se aposentaram, outros terão a primeira chance no profissional. Jogadores emprestados e outros voltando de empréstimo. E a cada ano essa história se repete.
Milhões de brasileiros gostariam de fazer parte desse vai e vem do mercado da bola, muitos até se arriscaram nas equipes juvenis de suas cidades ou de seus bairros, em busca de passar a vida fazendo o que mais gostam – jogar bola e ainda ser remunerado pra fazer isso.
É o sonho de toda criança, é o sonho de todo brasileiro.
Mas de fácil e legal, só o sonho mesmo… Passando por ele em direção à realização há muito sacrifício, suor e dificuldades. Algumas alegrias, muitas tristezas, muitos nãos e poucos sims. Tirando alguns fenômenos e gênios, os meros mortais (como eu) terão que enfrentar e superar obstáculos, um a um, até que chegue a hora de mostrar que você também é capaz.
O que quero dizer é que esses são elementos básicos que estarão inclusos no pacote, de qualquer um que tentar ser atleta. E olha que muitos dos mortais que chegaram até aqui cruzaram com gênios ao longo do caminho, que ficaram para trás por não conseguirem se adaptar às exigências do futebol moderno. Esse texto não é para desanimar os jovens sonhadores (nem os que gostam do futebol romântico, risos), mas para prepará-los para a dura realidade do dia-dia do futebol (e da vida).
Comigo foi assim, depois de passar quatro anos no São Paulo F.C, alguns meses no CSA de Alagoas, um ano no Águas de Lindóia Esporte Clube e mais um ano no Guarani de Campinas, tínhamos acabado de ser eliminados na primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Juniors (minha última por conta da idade). Com o contrato terminando em alguns dias e com um elenco profissional do Guarani inchado e cheio de zagueiros, vocês hão de convir que o meu futuro era incerto.
Eis que surge Joel Santana, recém chegado ao clube, que decide apostar em mim. Não me lembro se por lesão ou por mal rendimento dos outros, mas ele deu a ajuda que eu precisava. Pediu para renovarem meu contrato e me colocou para jogar. A partir dali, tudo foi diferente! (Não vou esquecer do Barbieri, do Neto e de outros que me ajudaram no Guarani).
Poderia passar dias escrevendo sobre histórias, lembranças e dificuldades mas irei em outra direção… As histórias ficam pra um futuro post.
Voltando ao mercado da bola, vou mostrar as diferentes expectativas dos atletas no início do ano:
Para os que subiram ao profissional agora, ficar alguns dias concentrado em pré-temporada é a maior alegria, é a realização de um sonho. Pros que estão nesse caminho há muito tempo é um tédio, pois abandonar a família logo após o reveillon já não é tão legal. Pros que voltaram de empréstimo, cada treino é uma prova e a estreia vem com o sentimento de que é a ultima chance da vida. Já pros “veteranos”, é “apenas” se preparar para mais um compromisso importante. Pros que foram vendidos, um novo mundo os espera, e os que ficaram sem contrato correm contra o tempo para arrumar novos clubes para jogar.
Na verdade o post não é sobre o mercado da bola em si, mas sim sobre esse olhar de dentro para fora, essa visão dos produtos (atletas) do mercado, que apesar de tudo, também tem sonhos, sentimentos e expectativas. Para muita gente (a família em especial) aquele cara, independente do nível e das conquistas, conseguiu vencer na vida e é motivo de orgulho para eles. O segredo do vencedor é querer ser melhor hoje do que foi ontem. Vencer não é ganhar sempre, é se superar a cada dia!
Abraço,
Paulo André
Hoje nos reapresentamos pela manhã no CT. Fizemos vários exames médicos e testes físicos.
Agora estamos em direção à Itu, onde passaremos a semana em pré-temporada. Poderíamos chamá-la de mini pré-temporada, mas agora não é hora de criar polêmicas (risos), é hora de trabalhar.
Agradeço a todos que acompanharam e comentaram os posts nesse mês de férias. O foco a partir de hoje volta a ser: treinamentos, jogos, e também, o repouso entre eles. Os preparadores físicos utilizam uma frase muito importante para nós atletas que vou dividir com vocês: O descanso TAMBÉM faz parte do treino!
Contudo, continuarei escrevendo, pois acho necessário levantar e discutir questões importantes, como fizemos nesse mês de férias (algo incomum e difícil de acontecer com atletas).
Por meio do blog consigo expor minhas ideias sem que isso interfira na minha profissão e no meu objetivo prioritário: melhorar a cada dia minha performance para representar e defender as cores do Corinthians dentro e fora de campo.
E a partir dessa semana em Itu, será exatamente assim. Treinar muito, me alimentar bem e descansar no restante do tempo para que o corpo consiga assimilar a alta carga de trabalho.
Um abraço a todos,
Paulo André
OBS: Talvez convide alguns colegas de profissão ou pessoas ligadas às diversas áreas do esporte para postarem no meu blog de vez em quando. Vamos ver se isso vai funcionar! rs
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| Seleção Brasileira campeã da Copa de 1970 |